February 10, 2014 / 11:18 AM / 4 years ago

Em referendo, Suíça aprova limites à imigração da UE

Por Alice Baghdjian e Albert Schmieder

Ministra da Justiça da Suíça, Simonetta Sommaruga, ao lado do presidente e chanceler, Didier Burkhalter, durante coletiva de imprensa, em Bern. O eleitorado suíço aprovou por estreita margem no domingo propostas para readotar quotas de imigração em relação à União Europeia, segundo resultados apresentados pela TV suíça, os quais colocam em dúvida o futuro dos acordos com a UE e podem irritar empresas multinacionais. 9/02/2014. REUTERS/Thomas Hodel

ZURIQUE, 10 Fev (Reuters) - O eleitorado suíço aprovou por estreita margem no domingo propostas para readotar quotas de imigração em relação à União Europeia, segundo resultados apresentados pela TV suíça, os quais colocam em dúvida o futuro dos acordos com a UE e podem irritar empresas multinacionais.

A neutra Suíça não é parte da UE, mas sua política migratória se baseia no livre movimento de cidadãos de e para o bloco que a cerca, com algumas exceções, além de permitir um número restrito de imigrantes de fora da UE.

O pacto sobre a livre movimentação de pessoas, que entrou em vigor há 12 anos, foi assinado como parte de um pacote de acordos com a UE, alguns dos quais podem agora ser revistos, sem falar nos efeitos da medida sobre uma economia com vocação globalizada, que emprega um grande número de profissionais estrangeiros.

“Este é um ponto de inflexão, uma mudança no sistema com consequências abrangentes para a Suíça”, disse a ministra da Justiça, Simonetta Sommaruga, a jornalistas em Berna.

Em nota, a Comissão Europeia disse que o resultado da votação contraria o princípio da livre movimentação de pessoas. O Poder Executivo da UE prometeu examinar as implicações do fato nas suas relações com a Suíça, levando em conta a posição do governo, que recomendou o voto no “não”.

“Para nós, as relações UE-Suíça vêm num pacote”, disse Hannes Swoboda, membro do Parlamento Europeu. “Se a Suíça suspender a imigração da UE, não poderá contar com todos os benefícios econômicos e comerciais dos quais atualmente desfruta. Não permitiremos... que fiquem escolhendo.”

Após uma apuração nervosa, 50,3 por cento dos eleitores aprovaram a iniciativa “Pelo fim da imigração em massa”, que também conseguiu a aprovação em mais de metade dos cantões (regiões), segundo a TV local.

Com esse resultado, o governo tem três anos para transformar a iniciativa, de autoria do direitista Partido Popular Suíço (SVP), em lei.

A decisão reflete a crescente preocupação da população suíça de que os imigrantes estejam erodindo a cultura do país alpino e contribuindo com a elevação dos aluguéis, a lotação dos transportes e com um aumento da criminalidade.

A imigração líquida (entradas menos saídas) está em torno de 70 mil pessoas por ano, em média. Os estrangeiros compõem 23 por cento da população de 8 milhões, índice que, na Europa, só é inferior ao de Luxemburgo.

“Esta é uma decisão enormemente importante, porque a direção deve ser alterada”, disse Luzi Stamm, representante do SVP, à TV suíça. “A população suíça disse que, em vez da livre movimentação de pessoas, quotas devem ser introduzidas.”

Reportagem adicional de Foo Yun Chee em Bruxelas e Caroline Copley em Zurique

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