February 13, 2014 / 7:13 PM / 4 years ago

Premiê da Itália vai renunciar após perder apoio de partido

Por James Mackenzie

O primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, concede entrevista coletiva no Palácio Chigi, em Roma, na quarta-feira. 12/02/2014 REUTERS/Remo Casilli

ROMA, 13 Fev (Reuters) - O primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, disse que renunciará na sexta-feira, abrindo caminho para que o líder de centro-esquerda Matteo Renzi assuma o comando do terceiro governo italiano em menos de um ano.

A decisão de renunciar foi tomada depois que o Partido Democrático (PD), o maior da coalizão de governo, apoiou um chamado de Renzi, de 39 anos, para formar um governo mais ambicioso e tirar a Itália da crise econômica.

“A Itália não pode viver em uma situação de incerteza e instabilidade. Estamos em uma encruzilhada”, disse Renzi ao forte comitê de liderança do partido.

Letta não compareceu à reunião do PD, dizendo que gostaria que seu partido decidisse livremente se queria continuar apoiando ele ou não.

Em um comunicado após a reunião, Letta afirmou que irá apresentar na sexta-feira sua renúncia ao presidente italiano, Giorgio Napolitano, que muito provavelmente pedirá a Renzi que forme um novo governo.

As crescentes críticas sobre a lentidão da reforma econômica deixou Letta, um político moderado de baixa visibilidade nomeado para liderar uma frágil coalizão após o impasse eleitoral do ano passado, cada vez mais isolado.

“As pessoas acusaram o PD e eu de termos uma ambição desmedida. Eu não nego isso. Todos nós precisamos ter isso, de mim até o último membro do partido”, disse Renzi em seu discurso ao comitê de liderança do PD. “Eu estou pedindo a vocês que nos ajudem a tirar a Itália da lama.”

“POLÍTICOS TÊM DE ASSUMIR RISCOS”

A mais recente turbulência na Itália, terceira maior economia da zona do euro, até agora teve pouco impacto nos mercados financeiros, ao contrário da volatilidade observada durante as crises anteriores, como o impasse depois da eleição do ano passado.

No entanto, a incerteza contínua impediu qualquer esforço para reviver uma economia com dificuldade para sair de sua pior recessão desde a Segunda Guerra Mundial ou reformar um sistema político acusado de dificultar qualquer programa de reforma profunda.

Em seu discurso, Renzi reconheceu que forçar a saída de Letta e tentar formar um novo governo com os parceiros existentes da coalizão de centro e centro-direita representavam riscos para o governo e a ele pessoalmente. Mas insistiu que não havia alternativa.

“Colocar-se na linha de frente agora traz um elemento de risco, mas um político tem o dever de assumir riscos em certos momentos”, disse ele. Renzi acrescentou que o novo governo deve durar até 2018.

O líder de um partido de centro-direita da coalizão governista, Angelino Alfano, deu um apoio cauteloso e condicional nesta quinta-feira à perspectiva de um novo governo liderado por Renzi.

Falando minutos após Letta anunciar sua intenção de renunciar, Alfano disse a repórteres que o apoio de seu novo partido Nova Centro-Direita vai depender das políticas que Renzi propuser, que não devem pender muito para a esquerda.

“Nós não estamos presumindo nada e não temos certeza de que a tentativa de formar um novo governo vai ser bem sucedida”, disse Alfano.

EX-PREFEITO DE FLORENÇA

Se Renzi for nomeado premiê, ele será o terceiro consecutivo a chegar ao cargo sem votos, depois do tecnocrata Mario Monti e de Letta, nomeado primeiro-ministro após semanas de infrutíferas discussões entre partidos rivais.

Renzi, um ambicioso político e ex-prefeito de Florença, não ocupa cargo parlamentar e nunca disputou uma eleição em nível nacional. Ele chegou à cena política como uma promessa de renovação nas bizantinas tradições da política italiana, mas sua eventual ascensão à chefia de Estado, numa manobra de bastidores, lembra a “porta giratória” que caracterizou os governos democratas-cristãos do passado.

“Essa é uma operação perigosa por parte de Renzi, tanto para o país quanto para si mesmo”, disse Giovanni Toti, assessor do ex-premiê direitista Silvio Berlusconi, à TV pública RAI.

“Ele deveria ser o forasteiro que iria renovar o PD. Agora, assim que se aproxima do poder, está se comportamento exatamente como todos os outros.”

Reportagem adicional de Gavin Jones, Steve Scherer e Alessandra Galloni

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