February 19, 2014 / 3:43 PM / 5 years ago

Denunciado ao STF, deputado tucano Eduardo Azeredo renuncia a mandato

BRASÍLIA, 19 Fev (Reuters) - O deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG) renunciou ao seu mandato nesta quarta-feira, após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na ação penal que investiga sua participação no escândalo que ficou conhecido como mensalão mineiro, informou a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara dos Deputados.

A renúncia pode trazer alívio para o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), pré-candidato à Presidência da República e que teria que enfrentar críticas sobre a postura ética do correligionário mineiro.

“As alegações injustas, agressivas, radicais e desumanas da PGR formaram a tormenta que me condena a priori e configuram mais uma antiga e hedionda denúncia da Inquisição do que uma peça acusatória do Ministério Público”, afirmou Azeredo em sua carta de renúncia lida no plenário da Câmara.

A carta foi entregue ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), por Renato Azeredo, filho do deputado, que alegou problemas de saúde para não se deslocar para Brasília.

“Renuncio ao mandato de deputado federal que me foi conferido por milhares de eleitores mineiros. Deixo o Parlamento para dedicar todos os meus dias à defesa de minha honra e de minha liberdade.”

O mensalão mineiro, ou mensalão tucano, foi um suposto esquema de desvio de verbas públicas em Minas Gerais para o caixa de campanha de Azeredo (PSDB) à reeleição do governo estadual em 1998. O esquema é considerado o embrião do mensalão do PT, que se caracterizou pela compra de apoio político no Congresso durante o primeiro mandato do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com a renúncia, existe a possibilidade de que a denúncia feita pela PGR ao Supremo seja enviada para a primeira instância da Justiça Federal, já que o deputado perderá o foro privilegiado. Caso seja encaminhado à primeira instância, a ação, o julgamento e uma eventual punição devem demorar anos para serem concluídos, tendo em vista que há possibilidade de recurso às instâncias superiores, o que não ocorre quando o julgamento é no STF.

Em outro trecho da carta entregue nesta quarta, Azeredo diz estar pronto para responder às acusações “em qualquer foro”.

“Não vou, porém, me sujeitar à execração pública por ser um membro da Câmara dos Deputados e estar sujeito a pressões políticas. Esta sanha não quer que prevaleça a ponderação da Justiça, mas, sim, ver, pendurado e balançando no cadafalso, o corpo de alguém exemplado para satisfazer os mais baixos apetites em ano de eleição”, afirmou.

Importantes lideranças petistas, como o ex-presidente da sigla José Genoino e do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, foram condenados pelo STF e estão presos.

O empresário Marcos Valério, condenado pelo STF no processo do mensalão petista por ter operado o esquema, também é citado no caso do mensalão tucano.

Por Jeferson Ribeiro e Maria Carolina Marcelo

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