February 28, 2014 / 5:24 PM / in 4 years

Clima adverso reduz safras de soja e milho do Brasil em 10 mi t

SÃO PAULO, 28 Fev (Reuters) - O tempo seco e quente em vários Estados agrícolas do Brasil e o excesso de chuva em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de grãos, reduziram a safra nacional 2013/14 de soja e milho em 10 milhões de toneladas, de acordo com levantamento da consultoria Safras & Mercado divulgado nesta sexta-feira.

O volume representa aproximadamente 5 por cento da estimativa de safra de grãos e oleaginosas do país, de 193,6 milhões de toneladas, anunciada no início de fevereiro pelo Ministério da Agricultura, quando os efeitos do clima adverso ainda não tinham sido considerados.

A produção brasileira de soja, estimada em janeiro pela Safras em 91,80 milhões de toneladas, foi reduzida para 86,14 milhões de toneladas, ou uma queda de 5,66 milhões de toneladas. Já a colheita total de milho foi prevista agora em 71,16 milhões de toneladas, baixa de 4,43 milhões ante a projeção do mês passado.

No Paraná, segundo produtor nacional de soja, o recuo considerando apenas a oleaginosa será de 1,74 milhão de toneladas.

O Estado de São Paulo, maior produtor de cana e laranja do Brasil —que também deve registrar perdas importantes nessas duas culturas—, foi outro Estado com relevantes prejuízos em soja e milho, assim como Minas Gerais, maior produtor de café, cultura também afetada pelo clima.

Segundo a Safras, São Paulo teve um recuo de 1,34 milhão de toneladas na primeira colheita de milho e 410 mil toneladas de soja —1,75 milhão, ao todo. Minas, disse a consultoria, perdeu 1,6 milhão de toneladas de milho e 190 mil toneladas de soja.

São Paulo, Minas Gerais e Paraná fecharam janeiro com índices de chuva abaixo da média histórica. Em fevereiro, a situação não teve muito alívio.

SAFRA DE SOJA AINDA CRESCE ANTE 2013

Apesar das perdas decorrentes do clima adverso, a safra de soja do Brasil ainda deverá crescer 4 milhões de toneladas na comparação com a temporada passada, quando somou um recorde de 82,12 milhões de toneladas, segundo a consultoria.

O aumento ocorre com um crescimento de cerca de 6 por cento no plantio, para um recorde de 29,5 milhões de hectares.

Em Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja, onde a safra caminhava para produtividades médias recordes, o problema foi o excesso de chuva em fevereiro.

O Estado teve agora sua colheita estimada em 26,72 milhões de toneladas, crescimento de 13 por cento ante 2012/13, mas abaixo da estimativa de janeiro, de 27,55 milhões de toneladas.

No Paraná, o corte da safra foi mais profundo. A Safras apontou uma previsão de 14,721 milhões de toneladas de soja, contra 16,46 milhões de toneladas anteriormente —em 2013, somou 15,9 milhões.

“Neste caso, os prejuízos foram causados pela forte estiagem que atingiu as lavouras entre o final de janeiro e boa parte de fevereiro”, disse a consultoria, em nota.

SAFRA DE MILHO CAI

No caso do milho, cuja área plantada cairá 5 por cento ante a temporada anterior, a seca deverá acentuar as perdas ante a temporada passada.

O Brasil deverá colher agora 71,16 milhões de toneladas de milho em 2013/14, disse a Safras, em uma estimativa abaixo da previsão de janeiro, de 75,58 milhões de toneladas, que já era uma redução ante o recorde de 82,07 milhões de toneladas de 2012/13.

Por Roberto Samora e Gustavo Bonato

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