February 28, 2014 / 8:09 PM / 4 years ago

Presidente deposto Yanukovich pede à Rússia que mantenha pulso firme sobre Ucrânia

ROSTOV-ON-DON, Rússia, 28 Fev (Reuters) - Viktor Yanukovich pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, para assumir uma linha mais dura com os novos governantes da Ucrânia que o depuseram, dizendo nesta sexta-feira que a Rússia não pode ficar indiferente ao que aconteceu na ex-república soviética.

O presidente ucraniano deposto Viktor Yanukovich concede entrevista coletiva em Rostov-on-Don, no sul da Rússia, nesta sexta-feira. 28/02/2014 REUTERS/Maxim Shemetov

Em aparição no sul da Rússia, onde se refugiou desde que fugiu da Ucrânia em 21 de fevereiro, Yanukovich disse: “Eu acho que a Rússia deveria agir, e é obrigada a agir.”

“Conhecendo a personalidade de Vladimir Putin, estou surpreso que ele ainda não tenha dito nada. A Rússia não pode ficar indiferente, não pode ser um espectador assistindo o destino de um parceiro tão próximo como a Ucrânia”, disse Yanukovich, de 63 anos.

“A Rússia deve usar todos os meios à sua disposição para acabar com o caos e o terror que atingem a Ucrânia”, disse ele, incentivando claramente o líder do Kremlin a assumir uma posição firme com a nova liderança ucraniana pró-Europa.

Yanukovich falou na cidade de Rostov-on-Don, no sul da Rússia, a cerca de 200 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, enquanto os novos governantes ucranianos protestam contra a ocupação de aeroportos e outros pontos estratégicos na península da Crimeia por grupos armados pró-Rússia.

Yanukovich, derrubado por um levante popular contra seu governo depois que ele decidiu não assinar um acordo comercial com a União Europeia, disse que não irá desistir da luta pelo futuro do país.

Na entrevista coletiva, ele protestou contra “nacionalistas, criminosos pró-fascistas” que o forçaram a deixar o cargo, e culpou os governos ocidentais de “ceder” aos manifestantes que buscavam sua derrubada.

Yanukovich disse que a anarquia e o caos se instalaram depois que ele assinou um acordo com os seus adversários na última sexta-feira, que foi intermediado pela União Europeia e tinha o objetivo de acabar com três meses de crise.

O acordo teria permitido a ele ficar no poder até as eleições antecipadas em dezembro. Mas os manifestantes, irritados com cerca de 100 mortes em confrontos com a polícia, rejeitaram o acordo na Praça da Independência, em Kiev, e ele fugiu.

Yanukovich, vestido com terno e gravata, manteve o discurso de que foi vítima de um golpe de Estado e negou que tenha ordenado a polícia a disparar contra os manifestantes antes de ser forçado a deixar o poder.

Ele deu a entender que a responsabilidade pelo derramamento de sangue em Kiev era dos manifestantes, elogiando a polícia antimotim Berkut por sua “coragem” ao resistir a ataques de bombas de gasolina por manifestantes. A força policial foi dissolvida pelo novo governo.

“Quero pedir perdão para todos aqueles que estão sofrendo e todos aqueles que sofreram... se eu estava na Ucrânia, eu me curvaria diante de todos”, disse ele.

TEMOR PELA VIDA

Dizendo que ele ainda era o presidente legalmente eleito, Yanukovich disse que tinha fugido da Ucrânia só porque temia por sua vida e a de sua família. Ele estava pronto para voltar à Ucrânia, mas só quando a sua segurança estiver garantida, disse ele.

Yanukovich pediu aos ucranianos para rejeitar a nova liderança que nomeou um novo primeiro-ministro e um gabinete na quinta-feira e que definiu a data de 25 de maio para uma eleição presidencial.

Reportagem de Denis Pinhchuk

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below