March 4, 2014 / 2:17 PM / 5 years ago

Putin diz que uso de força militar na Ucrânia será "último recurso"

Por Vladimir Soldatkin e Alissa de Carbonnel

Veículos russos blindados de transporte de pessoal (VBTP) na estrada que liga Sebastopol a Simferopol. O presidente Vladimir Putin disse nesta terça-feira que a Rússia só usará a força militar na Ucrânia como último recurso, em comentários cujo objetivo aparente é acalmar as tensões entre Ocidente e Oriente causadas pelo temor de uma guerra na ex-república soviética. 04/03/2014 REUTERS/Baz Ratner

MOSCOU/KERCH, Ucrânia, 4 Mar (Reuters) - O presidente Vladimir Putin disse nesta terça-feira que a Rússia só usará a força militar na Ucrânia como último recurso, em comentários cujo objetivo aparente é acalmar as tensões entre Ocidente e Oriente causadas pelo temor de uma guerra na ex-república soviética.

A Rússia, entretanto, se reservou o direito de usar todas as opções na Ucrânia para proteger seus compatriotas lá que estão vivendo em “terror”, disse Putin.

Putin declarou em uma coletiva de imprensa em sua residência oficial, nos arredores de Moscou, que houve um “golpe inconstitucional” na Ucrânia, e que o presidente deposto, Viktor Yanukovich, aliado da Rússia, ainda é o líder legítimo do país, apesar de ter entregado o poder.

“Só pode haver uma avaliação do que aconteceu em Kiev, na Ucrânia em geral. Esse foi um golpe anticonstitucional e a tomada armada do poder. Ninguém discute isso”, disse Putin, parecendo relaxado diante de um pequeno grupo de repórteres.

“Quanto a levar forças. Por enquanto não existe tal necessidade, mas essa possibilidade existe”, disse ele. “O que poderia servir como motivo para usar força militar? Ela seria naturalmente o último recurso, absolutamente o último.”

Mais cedo nesta terça-feira, Putin ordenou que as tropas envolvidas em um exercício militar no oeste russo, perto da fronteira com a Ucrânia, voltassem às suas bases. Ele disse que homens armados que haviam tomado prédios e outras instalações na Crimeia eram grupos locais.

PREÇOS DA GAZPROM

Aumentando a pressão sobre Kiev, a Gazprom, maior produtora russa de gás, disse que irá retirar um desconto nos preços do gás para a Ucrânia a partir de abril, segundo a agência de notícias Interfax citando o diretor da empresa.

No final de semana Putin disse ter o direito de invadir a Ucrânia para proteger cidadãos e interesses russos após a queda de Yanukovich, depois de meses de revolta popular. A Frota do Mar Negro da Rússia tem uma base na Crimeia.

Mas os exercícios militares no centro e no oeste russos, que começaram na semana passada e despertaram temores de que a Rússia poderia enviar forças para regiões de fala russa no leste da Ucrânia, foram concluídos no prazo.

“O comandante supremo das forças armadas da Federação Russa, Vladimir Putin, deu a ordem para que as tropas e as unidades, que participavam dos exercício militar, retornem a suas bases”, teria dito Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, de acordo com agências de notícias russas.

Embora o fim dos exercícios tenha sido planejado, o anúncio enviou uma mensagem mais conciliadora que a maior parte da retórica das autoridades russas, que dizem que Moscou deve defender os interesses nacionais e aqueles de seus compatriotas na Ucrânia.

Putin está desalentado que a nova liderança da Ucrânia, o berço da civilização russa, tenha planejado se aproximar da União Europeia, longe do que havia sido uma esfera de influência de Moscou durante gerações enquanto durou o comunismo soviético.

O enviado de Moscou na ONU disse, durante uma reunião tempestuosa do Conselho de Segurança, que Yanukovich enviou uma carta a Putin requisitando que ele usasse os militares russos para restabelecer a lei e a ordem na Ucrânia.

A Ucrânia disse que observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, um organismo de segurança pan-europeu, viajarão a seu convite para a Crimeia em uma tentativa de desarmar o impasse militar ali.

REAÇÃO OCIDENTAL

Os Estados Unidos começaram a esboçar sua reação à incursão russa, anunciando uma suspensão de todo envolvimento militar com a Rússia, incluindo exercícios militares e visitas a portos, e congelando conversas sobre comércio e investimentos com Moscou.

O presidente Barack Obama se reuniu com assessores de segurança para discutir como os EUA e seus aliados podem “isolar ainda mais” a Rússia, disse uma autoridade da Casa Branca.

“Ao longo do tempo, esta é uma proposta custosa à Rússia”, disse Obama aos repórteres.

O Departamento de Estado disse que os EUA estão se preparando para impor sanções à Rússia, embora nenhuma decisão tenha sido tomada ainda.

Membros do Congresso norte-americano estão estudando opções como sanções aos bancos russos e o congelamento de bens de instituições públicas russas e de investidores privados, mas dizem querer que Estados europeus se envolvam mais.

Um assessor do Kremlin disse que se o EUA de fato impuserem sanções, Moscou pode abandonar o dólar como reserva monetária e se recusar a pagar empréstimos para bancos norte-americanos.

Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) está em Kiev para discutir uma assistência financeira à Ucrânia para ajudar a evitar a falência. Os novos líderes de Kiev querem um pacote financeiro de pelo menos 15 bilhões de dólares, com a liberação rápida de parte do dinheiro.

A União Europeia ameaçou com medidas que não especificou a menos que a Rússia ordene o retorno de suas tropas às bases e inicie conversas com o novo governo ucraniano.

Líderes ocidentais enviaram uma série de alertas a Putin contra a ação armada, ameaçando consequências econômicas e diplomáticas, mas não cogitam uma reação militar.

Não houve sinais imediatos de nenhum movimento novo das forças russas na Crimeia, embora o presidente interino da Ucrânia tenha dito na segunda que a presença militar russa na península do Mar Negro esteja aumentando.

Forças russas enviaram três caminhões repletos de tropas por balsa para a Crimeia depois de assumir o controle do posto de fronteira do lado ucraniano, disse o porta-voz dos guardas de fronteira da Ucrânia.

Reportagem adicional de Pavel Polityuk, Natalia Zinets e Lesley Wroughton em Kiev, Andrew Osborn em Sebastopol, Thomas Peter em Kerch, Mike Shields em Viena

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