March 7, 2014 / 1:38 PM / 4 years ago

Com crise na Ucrânia, vizinhos da Rússia reforçam defesas

VILNA/VARSÓVIA, 7 Mar (Reuters) - Caças dos Estados Unidos chegam à Lituânia enquanto a crise na Ucrânia se agrava. A Polônia fala em modernizar suas Forças Armadas. A Letônia defende mais gastos para a defesa. A Suécia, tradicionalmente neutra, propõe uma “mudança doutrinária” nas questões defensivas.

Após a sensação de passar anos em segundo plano, enquanto os olhos da Otan se voltavam para guerras como a do Afeganistão, alguns países europeus próximos às fronteiras russas planejam agora gastar mais em defesa, esperando também receber mais recursos da aliança militar ocidental.

Há muito tempo governos da região alertam os EUA e a Otan sobre a assertividade russa, mas sentiam que suas queixas não eram ouvidas.

Mas, repentinamente, após a ação russa para assumir o controle da região ucraniana da Crimeia, eles passaram a ser alvo das atenções — o que se traduz em propostas para a aquisição de mais caças e mísseis, por exemplo.

Alguns desses projetos são pequenos para os parâmetros europeus. O orçamento total de defesa para a Lituânia, por exemplo, é de apenas 280 milhões de euros, aproximadamente (390 milhões de dólares). Mas, frequentemente acompanhadas de retórica anti-Rússia, essas iniciativas refletem como a segurança da região voltou à pauta.

“Após os acontecimentos na Ucrânia e a agressão russa, a necessidade de ampliar os gastos será mais bem entendida pelo povo lituano, e haverá mais apoio a ela”, disse à Reuters o ministro lituano da Defesa, Juozas Olekas.

O presidente russo, Vladimir Putin, justificou a intervenção na Ucrânia pela necessidade de proteger cidadãos falantes do idioma russo. Isso alarmou muitos países bálticos, onde também há expressivas minorias étnicas russas que, segundo Moscou, estão tendo seus direitos desrespeitados.

Os países bálticos e a Polônia eram parte do bloco soviético até pouco mais de duas décadas atrás. Eles tradicionalmente desconfiam das intenções de Moscou na região, e cada vez mais se voltam para o Ocidente. Todos eles atualmente são membros da União Europeia e da Otan.

Mesmo antes da crise na Ucrânia, a região já demonstrava preocupação com Moscou. No ano passado, a Otan em mais de 40 ocasiões mobilizou jatos para verificar a atividade de aviões russos que se aproximavam das fronteiras dos países bálticos. Em 2004, quando a Otan iniciou as patrulhas ali, houve apenas uma mobilização.

Os EUA estão agora ampliando o número de caças norte-americanos na missão de patrulha aérea da Otan no Báltico, e intensificando o treinamento da Força Aérea polonesa.

“A Rússia é uma ameaça para toda a Europa. E a Europa deve finalmente entender com o que está lidando”, disse a presidente lituana, Dalia Grybauskaite, na quinta-feira em Bruxelas.

Poucos anos atrás, Grybauskaite propôs um congelamento do orçamento da defesa. Agora, ela se tornou mais belicosa. “A vida sempre oferece muitos corretivos, inclusive em decisões políticas”, afirmou ela. “A segurança regional é muito importante. Certas mudanças (nos gastos militares) são prováveis.”

A Polônia também já vinha planejando gastar cerca de 45 bilhões de dólares na próxima década para construir um novo sistema de defesa antimísseis e modernizar suas armas, tanques e helicópteros de transporte.

Depois da mobilização russa na Crimeia, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, disse que “o conflito deve acelerar a modernização do Exército polonês”.

Na semana que vem, os EUA enviarão 12 caças F-16 e 300 profissionais à Polônia para participar de um treinamento que foi ampliado depois da crise ucraniana.

Na Suécia, que tem estreitas ligações com os países bálticos, o ministro das Finanças, Anders Borg, disse que a Rússia está “um pouco mais errática e imprevisível”, e defendeu mais gastos com defesa.

Na véspera, Estocolmo deslocou dois caças para Gotland, uma ilha no Báltico que havia sido quase desmilitarizada nos últimos anos por causa de cortes orçamentários. O vice-premiê Jan Bjorklund defendeu nesta semana uma “mudança doutrinária” na política sueca de defesa, e há especulações sobre uma adesão completa da Suécia à Otan.

Reportagem adicional de David Mardiste, em Tallinn; Nerijus Adomaitis, em Oslo; Johan Ahlander, em Estocolmo; e Aija Krutaine, em Riga

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