March 11, 2014 / 10:14 PM / 4 years ago

Deputados do PMDB declaram independência do governo e pedem reunião da Executiva

Por Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA, 11 Mar (Reuters) - A crise entre o governo e o PMDB teve um novo round nesta terça-feira, com a decisão unânime da bancada de deputados peemedebistas de adotar uma postura de independência nas votações na Câmara e pedir a convocação de uma reunião da comissão executiva do partido para debater a atual crise e “reavaliar a qualidade” da aliança com o PT.

A decisão dos deputados aumenta a pressão sobre a aliança nacional entre os dois partidos pelo projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff, que nos últimos dias tem feito reuniões com caciques do PMDB para tentar garantir o apoio oficial de legenda e isolar o líder da bancada na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que tem capitaneado os movimentos dos aliados insatisfeitos.

Essa ação de Dilma ampliou a desconfiança entre os peemedebistas e a bancada reafirmou que o único canal de interlocução com o PMDB da Câmara é seu líder.

Não há data marcada para a reunião da comissão executiva, mas é provável que ela ocorra na próxima semana. A tendência é que além de debater a relação com o governo também seja discutida a possibilidade de convocar uma convenção nacional do partido para determinar se o casamento com o PT será mantido ou não.

A decisão provocou uma grande irritação no vice-presidente Michel Temer, segundo um peemedebista que conversou com ele após a reunião. Temer se sentiu traído mais uma vez por Cunha, que pela manhã havia lhe dito que não tensionaria mais a relação com o governo.

Durante a reunião da bancada, chegou a ser feita uma votação para decidir pelo rompimento da bancada com o governo com o apoio de 26 parlamentares. Outros 13 votaram por manter o apoio ao Executivo na Câmara. Cunha, porém, disse que não haveria maioria suficiente para tomar a decisão e não a homologou, segundo relato do deputado Sandro Mabel (GO) à Reuters.

“O país não aguenta mais quatro anos de Dilma. Ela vai quebrar o país. O Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) tem que voltar”, disse Mabel.

Cunha disse após a reunião que o movimento da bancada não visa o rompimento com o governo e o fim da aliança eleitoral, mas não detalhou o que o governo ou o PT podem fazer para evitar o racha instalado. Ele disse também que a bancada não é o foro adequado para tratar de rompimento da relação com o governo.

“O que existe é uma insatisfação generalizada sobre o processo hegemônico feito pelo PT, que avança prejudicando as bancadas de partidos aliados, notadamente o PMDB”, disse o líder.

“Não posso afirmar que tem solução. Qualquer solução que eu colocasse aqui seria ilusória”, acrescentou Cunha, que avalia que a crise está instalada e o governo terá que negociar mais.

A posição de Cunha desperta preocupações na cúpula do partido, porque ele não apresenta pauta de reivindicação e aumenta a cada semana a pressão sobre o governo. Parte dos caciques do PMDB acredita que não há como controlar as ações do correligionário.

Com a postura de independência, os deputados irão se reunir semanalmente para decidir como se posicionarão sobre cada projeto proposto pelo governo. Nessa semana, já decidiram criar uma comissão externa para acompanhar uma denúncia de pagamento de propina de uma empresa holandesa a funcionários da Petrobras e vão votar contra o Marco Civil da Internet, projeto que tem apoio pessoal de Dilma. Também decidiram convidar a presidente da estatal, Graça Foster, para prestar esclarecimentos na Câmara.

CONVENÇÃO

Durante a reunião da bancada, o deputado Danilo Forte (CE), disse que já tem apoio de onze diretórios estaduais para convocar uma convenção nacional do partido. É necessário apoio de pelo menos nove diretórios. Forte, porém, não revela quais Estados estão apoiando a reunião nacional.

Para parte da cúpula do partido, ele está blefando. E teria o apoio de, no máximo, seis diretórios. Forte disse que não pretende levar adiante o movimento antes da reunião da comissão executiva do partido.

“Se nós estamos sendo isolados, se estamos sendo colocados na marginalidade, nós vamos construir um caminho independente para abrigar nossos horizontes. E o que me surpreendeu na reunião de hoje é a força que veio para um projeto de candidatura própria (à Presidência neste ano)”, disse o parlamentar a jornalistas.

Durante a reunião, porém, o deputado Leonardo Picciani (RJ), apresentou uma resolução do diretório do Rio de Janeiro pedindo o fim da aliança com o PT e sugerindo o apoio à candidatura tucana do senador Aécio Neves.

Caso o PMDB decida pôr fim à aliança com Dilma, seria um grande revés para a petista, que teria que escolher um outro vice para sua chapa, já que Michel Temer seria substituído. Ela também teria uma redução do tempo de campanha eleitoral no rádio e na TV.

REFORMA MINISTERIAL

Esse objetivo de ter o maior tempo possível para a campanha eletrônica serviu também para aprofundar a crise com o PMDB.

Dilma tenta usar as mudanças no ministério para agregar o maior número de partidos políticos à sua aliança. Isso tornou quase impossível atender o pleito dos peemedebistas de comandar uma pasta a mais na Esplanada. Hoje, o partido está à frente de cinco ministérios (Previdência, Turismo, Minas e Energia, Agricultura e Aviação Civil).

Além de frustrar essa expectativa, Dilma tentou mudar a divisão das indicações do PMDB, dando mais espaço para os senadores e tirando dos deputados, o que causou grande irritação na bancada.

Para piorar, os senadores escolhidos pela presidente para assumir uma pasta rejeitaram seu convite. Primeiro, o líder do PMDB na Casa, Eunício Oliveira (CE), disse a ela que prefere disputar o governo cearense. Depois, o senador Vital do Rêgo (PB), que havia sido convidado no final de fevereiro para a pasta do Turismo avisou à cúpula do partido que rejeitaria o convite para não criar constrangimentos internos.

Dilma avisou a Temer nos últimos dias que concluirá a reforma em breve e que se o PMDB não fizesse indicações escolheria os novos nomes sem abrir novas negociações.

“A crise está presente, ninguém está escondendo que a crise existe”, disse Cunha.

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