April 11, 2014 / 10:22 PM / 4 years ago

EUA não darão visto a diplomata indicado pelo Irã para ONU, diz Casa Branca

Por Steve Holland e Patricia Zengerle

WASHINGTON, 11 Abr (Reuters) - Os Estados Unidos negaram nesta sexta-feira o visto para o diplomata iraniano indicado para o cargo de embaixador de seu país na Organização das Nações Unidas e citaram como justificativa as ligações dele com a crise dos reféns em 1979-1981 -- adotando assim uma medida rara que levanta questões sobre quanta influência a Casa Branca pode exercer sobre a entidade mundial.

O presidente dos EUA, Barack Obama, estava sob forte pressão para não permitir que Hamid Abutalebi assumisse o posto em Nova York. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse que a ONU e o Irã foram informados de que o país não vai “emitir um visto ao sr. Abutalebi”. Ele não deu mais explicações.

Uma lei dos EUA permite que o governo vete a entrada de diplomatas da ONU considerados ameaças à segurança nacional, mas a decisão de Obama, que potencialmente estabelece um precedente, pode expor os Estados Unidos a críticas de que está usando sua posição de país anfitrião de forma inadequada.

O governo dos EUA rejeita Abutalebi por causa da suspeita de sua participação em um grupo de estudantes islamistas que tomou a embaixada do país em novembro de 1979 e manteve 52 norte-americanos reféns por 444 dias.

O veterano diplomata reconheceu que atuou como intérprete para os militantes que mantinham os reféns.

A decisão de Obama foi tomada dias depois de negociadores do Irã, Estados Unidos e outras cinco potências mundiais se reunirem em Viena para delicadas conversações que buscam frear o programa nuclear iraniano.

Um porta-voz da missão do Irã nas Nações Unidas disse que a decisão da Casa Branca foi infeliz e viola a lei internacional.

“É uma decisão lamentável da administração dos EUA, que viola o direito internacional, a obrigação do país de acolhimento e o direito inerente dos Estados-membros soberanos de designar os seus representantes nas Nações Unidas”, disse o porta-voz Hamid Babaei em um comunicado.

Mas uma autoridade iraniana afirmou não esperar que a disputa afete as negociações nucleares.

Qualquer resposta oficial caberia ao Ministério das Relações Exteriores iraniano, mas a decisão dos EUA “não terá nenhum impacto em nossas negociações com o P5 +1 (designação das potências que negociam com o Irã)”, disse o funcionário à Reuters.

Autoridades norte-americanas também afirmaram não esperar qualquer impacto.

CONGRESSO

A ONU informou não ter nenhum comentário a fazer neste momento sobre a decisão dos EUA.

Depois de ficar a par da indignação dos ex-reféns sobre a indicação de Abutalebi, os membros do Congresso se apressaram a aprovar uma legislação banindo-o, encarando a questão como uma chance de se mostrarem firmes com o Irã semanas após um novo projeto de lei com sanções ao país não ter sido levado adiante no Senado.

Excepcionalmente, a legislação foi aprovada esta semana por unanimidade em ambas as Casas do Congresso, normalmente dividido em outros assuntos.

Muitos membros do Congresso, até mesmo colegas democratas de Obama, estão profundamente céticos sobre o Irã, apesar dos esforços do governo para aliviar as tensões com o adversário de longa data dos EUA.

Eles haviam deixado claro que consideravam a nomeação de Abutalebi para o cargo uma atitude crítica do Irã aos Estados Unidos.

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