May 8, 2008 / 10:04 PM / in 11 years

Ciclone afetou 1,5 milhão de pessoas em Mianmar, estima ONU

Por Louis Charbonneau

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A ONU estimou na quinta-feira que 1,5 milhão de pessoas tenham sido “severamente afetadas” pelo ciclone Nargis em Mianmar, e os Estados Unidos demonstraram indignação com a demora das autoridades em permitir ajuda.

Sobreviventes desesperados imploram por comida, água e outros mantimentos, quase uma semana depois do vendaval e do maremoto que podem ter matado cerca de 100 mil pessoas nos arrozais e aldeias do delta do rio Irrawaddy.

“Estamos ultrajados com a demora na reação do governo da Birmânia [Mianmar] em dar as boas-vindas e aceitar a assistência”, disse a jornalistas o embaixador dos Estados Unidos na ONU, Zalmay Khalilzad.

“Está claro que a capacidade do governo em lidar com a situação, que é catastrófica, está limitada”, acrescentou.

O Programa Mundial de Alimentos (da ONU) e a Cruz Vermelha/Crescente Vermelho disseram que finalmente conseguiram embarcar mantimentos emergenciais, após muita relutância do regime militar birmanês. Os EUA ainda aguardam autorização para iniciar os vôos militares.

O governo norte-americano está “totalmente preparado para ajudar e ajudar imediatamente, e será uma tragédia se esses produtos forem desperdiçados”, segundo o secretário de Defesa. Robert Gates.

A Marinha despachou o destróier USS Mustin e a Força Expedicionária de Ataque Essex, com mais três barcos, do golfo da Tailândia.

Testemunhas dizem que praticamente não existe um esforço humanitário no delta do Irrawaddy, a área mais atingida. “Vamos morrer de fome se não mandarem nada. Precisamos de comida, água, roupas e abrigo”, disse à Reuters o pescador Zaw Win, 32 anos, que se esgueirava entre cadáveres flutuantes em busca de um barco para fazer a viagem de duas horas até Bogalay, localidade onde o governo diz terem morrido 10 mil pessoas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse estar buscando contatos diretos com o líder da junta militar de Mianmar, Than Shwe, para convencê-lo a facilitar o acesso. Uma porta-voz da ONU disse que Ban consideraria “prudente” por parte do governo local adiar o referendo constitucional marcado para sábado.

Alguns críticos acusam a junta de adiar as autorizações para evitar um afluxo de estrangeiros no interior do país durante o referendo sobre a Constituição, escrita pelo Exército para consolidar ainda mais o poder nas mãos dos militares, que já governam a antiga Birmânia há 46 anos.

Reportagem adicional de Aung Hla tun, em Yangon, Nopporn Wong-Anan, Grant McCool e Darren Schuettler, em Bancoc, Jalil Hamid, em Kuala Lumpur, Kerstin Gehmlich, em Berlim, Matthew Bigg, em Atlanta, e Claudia Parsons, nas Nações Unidas

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below