June 24, 2008 / 10:56 PM / 11 years ago

Trégua vive abalo em Gaza; Israel trocaria prisioneiro com Hamas

Por Dan Williams

JERUSALÉM (Reuters) - Depois de soldados israelenses terem matado um líder militante palestino na Cisjordânia ocupada, militantes palestinos da Faixa de Gaza dispararam vários foguetes contra Israel na terça-feira, desafiando um cessar-fogo em vigor nesta região há cinco dias.

Os foguetes da Jihad Islâmica feriram levemente dois moradores de uma cidade fronteiriça de Israel e deixaram em segundo plano uma reunião de potências mundiais, realizada em Berlim, para discutir formas de fortalecer o presidente palestino, Mahmoud Abbas, enquanto realiza negociações de paz com o Estado judaico.

“Trata-se de uma violação ostensiva do período de calma, e nós avaliaremos as nossas opções”, disse, segundo um assessor, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, após o ataque contra Sderot.

O Hamas, movimento islâmico rival de Abbas e que governa a Faixa de Gaza, criticou a ação militar de Israel na Cisjordânia, mas conclamou seus colegas militantes a suspenderem as ações violentas.

“O Hamas interessa-se por manter a calma”, afirmou Sami Abu Zuhri, um autoridade do grupo.

Novos derramamentos de sangue na Faixa de Gaza poderiam prejudicar os esforços realizados por Olmert para garantir, com a ajuda do Egito, a libertação de Gilad Shalit, um soldado israelense capturado pelo Hamas.

O premiê israelense enfrenta ainda um escândalo de corrupção que pode tirá-lo do poder. O caso fez surgirem conflitos na coalizão governista, dentro da qual o Partido Trabalhista (parceiro minoritário) prometeu dar apoio a um projeto da oposição a ser apresentado na quarta-feira com o intuito de dissolver o Parlamento.

Não obstante o projeto de lei convocando eleições antecipadas necessitar de uma ratificação futura a fim de entrar em vigor, meios de comunicação israelenses disseram que os membros do partido Kadima (de Olmert) estavam tentando convencer o líder dos trabalhistas, Ehud Barak (atual ministro da Defesa), a retirar seu apoio à medida.

Olmert, de outro lado, prometeu desvencilhar-se dos trabalhistas caso os aliados votassem contra o governo.

Crises políticas surgidas anteriormente em Israel foram deixadas de lado a fim de permitir que a liderança nacional do país enfrentasse questões mais importantes relacionadas à guerra ou à paz.

Além de monitorar os acontecimentos na Faixa de Gaza, o governo de Olmert anunciou no mês passado o lançamento de negociações com a Síria, em um processo mediado pela Turquia.

E vem negociando indiretamente com o grupo libanês Hezbollah a fim de garantir a libertação de dois soldados capturados por essa guerrilha em 2006. Karnit Goldwasser, a mulher de um dos militares, afirmou a um canal israelense de TV que o Olmert lhe disse que sugeriria, no domingo, a seu gabinete de governo uma votação sobre uma troca de prisioneiros com o Hezbollah.

A aprovação pelo gabinete significaria a finalização de um acordo dentro de alguns dias. O gabinete do premiê não se manifestou a respeito do assunto. Membros das forças de segurança israelenses disseram que pelos soldados — cujo estado não é conhecido — o governo de Olmert libertaria cinco guerrilheiros libaneses.

PREOCUPAÇÃO

A possibilidade de ruir o cessar-fogo selado na Faixa de Gaza deixou alarmado o Quarteto de mediadores internacionais para o Oriente Médio — EUA, a União Européia (UE), a Rússia e a Organização das Nações Unidas (ONU). E alarmados ficaram especialmente os norte-americanos, que desejam ver Olmert e Abbas selarem um acordo de paz antes de o presidente dos EUA, George W. Bush, deixar seu cargo, em janeiro.

Em um comunicado divulgado depois de seus principais representantes terem se reunido em Berlim durante uma conferência de doadores na qual foram prometidas verbas para as forças de segurança de Abbas, o Quarteto “conclamou que a paz seja respeitada por completo e manifestou a esperança de que ela perduraria e que levaria uma maior segurança para os palestinos e os israelenses, e permitiria a retomada da vida civil normal na Faixa de Gaza.”

Além de suspender os conflitos entre Israel e o Hamas, a trégua, que entrou em vigor na quinta-feira, exigia dos israelenses minorassem o bloqueio econômico imposto àquele empobrecido território costeiro.

Reportagem adicional de Nidal al-Mughrabi em Gaza, Atef Saad em Nablus; Ari Rabinovitch e Will Rasmussen em Sharm el-Sheikh; Adam Entous e Brenda Gazzar em Jerusalém; e Susan Cornwell e Kerstin Gehmlick em Berlim

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