7 de Maio de 2008 / às 20:14 / em 10 anos

Mortes em Mianmar podem passar de 100 mil, dizem EUA

Por Aung Hla Tun

YANGON (Reuters) - Mais de 100 mil pessoas podem ter morrido por causa do ciclone em Mianmar, disse uma diplomata norte-americana na quarta-feira, citando informações vindas da devastada região do delta do rio Irrawaddy.

“A informação que estamos recebendo indica que pode haver bem mais de 100 mil mortes na área do delta”, disse Shari Villarosa, encarregada de negócios da embaixada dos EUA em Mianmar. Ela falou a jornalistas por teleconferência de Yangon.

A rádio e a TV estatais, principais fontes de informação sobre danos e vítimas, apresentou uma cifra atualizada de 22.980 mortos, 42.119 desaparecidos e 1.383 feridos. Foi o ciclone mais devastador na Ásia desde 1991, quando 143 mil pessoas morreram na vizinha Bangladesh.

O ciclone Nargis, que atingiu o delta do Irrawaddy e Yangon na terça-feira, tinha ventos de até 190 quilômetros por hora e também provocou um maremoto, o que causou a maioria das mortes em localidades litorâneas.

“Estimamos que até 1 milhão de pessoas atualmente precisem de abrigo e assistência para salvar suas vidas”, disse à Reuters em Bangcoc Richard Horsey, do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitário da ONU. Segundo ele, uma área de 5.000 quilômetros quadrados está submersa.

Tailândia, China, Índia e Indonésia já começam a enviar ajuda à região, mas há receios de que a junta militar birmanesa, tradicionalmente reclusa, não abra o país ao esforço humanitário internacional. A França cogita sugerir uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que imponha tal ajuda à força, mesmo que isso viole a soberania de Mianmar. EUA e Austrália também fizeram um apelo para que os generais aceitem a ajuda humanitária, e a ONU cobrou mais facilidades na concessão de vistos para seus funcionários.

Analistas dizem que o ciclone pode ter implicações duradouras sobre a junta militar, que é ainda mais temida e odiada pela população por causa da violenta repressão às manifestações pró-democracia lideradas por monges budistas em setembro. A antiga Birmânia está sob regime militar há 46 anos.

Reportagem adicional de Darren Schuettler e Sukree Sukplang em Bangcoc e Michael Perry em Sydney

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