February 3, 2015 / 1:38 PM / 4 years ago

Novo modelo de ajuda é necessário ou pobres esperarão um século por itens básicos, diz ONG

LONDRES (Reuters) - Vai demorar 100 anos para algumas das pessoas mais pobres do mundo obterem serviços básicos de saúde, saneamento e educação, a menos que a abordagem atual para a ajuda seja alterada radicalmente, segundo um relatório publicado nesta terça-feira.

As agências de desenvolvimento precisam ser mais inovadoras e flexíveis, aprender as lições do mundo dos negócios e mudar o foco do volume para a qualidade, de acordo com um relatório do grupo de estudos britânico Overseas Development Institute (ODI).

“Para muitas pessoas pobres a questão não é saber se terão acesso a serviços até 2015 ou 2030, mas em 2090 ou até mais tarde”, disse Leni Wild, principal autora do relatório, em um comunicado.

Em 2015, as metas de desenvolvimento estabelecidas no início do novo milênio não terão alcançado muitos alvos, incluindo alguns em saneamento e saúde.

Sem mudanças nas práticas de desenvolvimento, os esforços para alcançar novas metas a serem definidas este ano vão simplesmente repetir o mesmo padrão de fracasso.

Um exemplo é o Quênia, uma das economias que mais crescem na África Subsaariana, mas que não irá fornecer saneamento para todos os seus cidadãos em menos de 150 anos.

Em Gana, levará 76 anos até que todas as mulheres tenham acesso a um profissional de saúde qualificado durante o parto, segundo o relatório, citando dados da Unesco.

Em toda a África subsaariana meninos de famílias urbanas saudáveis estarão completando o ensino primário 65 anos antes que todas as meninas de famílias rurais pobres tenham as mesmas oportunidades.

A atual abordagem de que “um mesmo caminho é adequado a todos” não reconhece realidades políticas ou a competência de certos países para fornecer programas de ajuda financiados por doadores, na avaliação da ODI.

Para a ODI, as agências de desenvolvimento deveriam aprender com os fracassos e adotar uma abordagem de resolução de problemas já reconhecida em outros setores, como o de criação de microempresas.

“Nossa pesquisa tem nos mostrado que os projetos com bons resultados são liderados localmente, são politicamente inteligentes e muitas vezes empregam técnicas de empreendedorismo”, disse Leni. “Olhar como funciona o auxílio é mais importante do que o quanto gastar.”

Na segunda-feira um órgão parlamentar britânico de supervisão pediu ao departamento de ajuda do governo que fosse “além da ajuda” e buscasse novas formas de cooperação com os países aos quais dá assistência.

Reportagem de Magdalena Mis

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