29 de Julho de 2017 / às 20:14 / em 5 meses

Mulheres turcas marcham por direitos em protesto em Istambul

ISTAMBUL (Reuters) - Centenas de mulheres turcas marcharam neste sábado em Istambul, maior cidade do país, para protestar contra a violência e a animosidade que recebem dos homens, que exigem que elas se vistam mais conservadoramente.

A marcha, chamada de “Não mexa com a minha roupa”, começou no distrito de Kadikoy, no lado asiático da cidade. Mulheres cantaram frases e carregaram shorts jeans em cabides, como um exemplo do tipo de roupa que alguns homens consideram inaceitáveis.

“Não vamos obedecer, ser silenciadas, ficar com medo. Vamos vencer pela resistência”, cantou a multidão, erguendo pôsteres e bandeiras LGBT.

Há tempos, Istambul tem sido uma cidade relativamente liberal para mulheres e homossexuais.

Mas críticos afirmam que o presidente Tayyip Erdogan e seu partido com raízes islâmicas AK demonstraram pouco interesse na expansão dos direitos das minorias, homossexuais e mulheres, e são intolerantes com dissidências.

Manifestantes afirmam que houve um crescimento no número de ataques verbais e físicos contra mulheres por causa de suas roupas.

Em um incidente, em junho, uma jovem mulher, Asena Melisa Saglam, foi atacada por um homem em um ônibus, em Istambul, por usar shorts durante o mês islâmico sagrado do Ramadã. Vídeos do incidente mostram o homem agredindo-a, enquanto o motorista apenas assistia.

“Você não tem vergonha de se vestir assim durante o Ramadã?”, afirma o homem, segundo as imagens.

Em outro incidente, Canan Kaymakci foi assediada nas ruas de Istambul quando um homem a acusou de usar roupas provocativas, dizendo que ela devia tomar cuidado por que estava “excitando as pessoas”.

Outra mulher, Aysegul Terzi, foi chamada de “diaba” e chutada por um homem em um ônibus público, também por estar usando shorts. Imagens mostram o homem dizendo a ela que aquelas que usavam shorts “deveriam morrer”.

A marcha de sábado recebeu diversos membros da comunidade gay e transgênera, depois de a marcha do Orgulho de Istambul ter sido proibida pelas autoridades, em junho.

Desde que Erdogan chegou ao poder, quase 15 anos atrás, restrições para o uso de lenços na cabeça, imposto pelos líderes seculares do século XX, foram aliviadas, e mais mulheres no país majoritariamente muçulmano decidiram usá-los.

A marcha de sábado mostrou várias mulheres protestando contra as críticas que receberam por escolherem usar o lenço na cabeça.

“Não mexa com o meu lenço, meu shorts, minhas roupas”, diziam os cartazes das participantes. 

(Por Murad Sezer)

Tradução Redação São Paulo, 55 11 5644 7519 REUTERS LC BB

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