29 de Julho de 2017 / às 20:29 / em 4 meses

Primeiro-ministro deposto do Paquistão quer que irmão assuma o cargo

ISLAMABAD (Reuters) - O primeiro-ministro deposto do Paquistão, Nawaz Sharif, nomeou neste sábado seu irmão Shahbaz para eventualmente assumir como líder do país e atacou rivais políticos e a decisão da Suprema Corte, que o tirou do cargo.

Sharif também indicou um firme aliado do seu partido, Shahid Khaqan Abbasi, para ser o primeiro-ministro interino, enquanto seu irmão disputa uma eleição no parlamento para se tornar elegível para assumir o poder.

Por enquanto, o país com armas nucleares no sul da Ásia está sem liderança, até que o parlamento se reúna para eleger um novo primeiro-ministro.

Dinastias políticas têm uma longa história no Paquistão, onde, no passado, o Exército realizou múltiplos golpes de Estado e nenhum primeiro-ministro completou seu mandato desde a independência do Reino Unido, em 1947.

Sharif, cujo partido conquistou a maioria no parlamento em 2013, disse que ficou estupefato pela decisão da Suprema Corte, na sexta-feira, desqualificando-o para o cargo por causa de um pagamento não declarado que partiu de uma empresa do seu filho, em Dubai.

A corte também ordenou uma investigação criminal contra ele e sua família.

Sharif descreveu o caso como vingança política do líder opositor Imran Khan, e afirmou que o veredicto é um abuso de poder por parte do Judiciário.

“Minha consciência está tranquila”, disse ele em seu primeiro comentário público desde que renunciou, na sexta-feira, depois da decisão da corte.

Ele também destacou que a corte não provou nenhuma corrupção ou desvio de dinheiro público depois de meses de investigações derivadas das revelações dos “Panamá Papers”, vazados ano passado, de que seus filhos estavam ligados a empresas offshore.

Mesmo assim, Sharif disse que não irá mais buscar cargos públicos e pediu que os seus eleitores apoiem seu irmão - agora ministro-chefe da província de Punjab - para ser o seu sucessor.

“Eu deixei meu cargo, então alguém tem que assumi-lo e, depois de muitas consultas, Shahbaz Sharif foi o escolhido”, disse Sharif, em um discurso para membros do seu partido governista Liga Muçulmana Paquistanesa (PML-N, sigla em inglês).

Sharif nomeou o aliado Shahid Khaqan Abbasi, que era ministro do Petróleo no seu último gabinete, como primeiro-ministro interino por um período inferior a dois meses.

A saída de Sharif significa incerteza em um momento no qual o Paquistão estava passando um raro período de relativa estabilidade, com menos ataques extremistas e com o maior crescimento econômico em uma década.

O PML-N tem uma forte maioria no parlamento e não deve ter problemas para escolher o novo primeiro-ministro.

Sharif disse que continuará lutando pela Constituição do Paquistão, mas não mencionou nenhuma influência do poderoso exército paquistanês na sua deposição.

Um dia antes, um importante aliado de Sharif acusou membros do Exército de estarem envolvidos na saída de Sharif.

“Sabemos muito bem qual o crime de Nawaz Sharif e da Liga Muçulmana. O que pedimos? Pedimos a supremacia civil no Paquistão”, disse o ministro das Ferrovias, Khawaja Saad Rafiq, em uma entrevista coletiva, na sexta-feira.

O Exército não comentou a saída de Sharif, ou as alegações de que estaria envolvido no assunto. O Exército negou acusações anteriores de que estaria por trás da investida da Suprema Corte contra Sharif. 

Por Drazen Jorgic; reportagem adicional de Asif Shahzad

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