18 de Outubro de 2017 / às 10:35 / 2 meses atrás

Em abertura de Congresso, líder chinês delineia visão de "nova era", mas sem reforma política

PEQUIM (Reuters) - O presidente da China, Xi Jinping, abriu nesta quarta-feira uma edição crucial do Congresso do Partido Comunista com a promessa de construir um “país de sociedade moderna” para uma “nova era”, que será orgulhosamente chinesa e comandada com firmeza pelo partido, mas aberta para o mundo.

Presidente da China, Xi Jinping, durante abertura do Congresso do Partido Comunista, em Pequim 18/10/2017 REUTERS/Aly Song

O discurso abrangente de Xi delineou uma visão confiante para uma China mais próspera e seu lugar na comunidade internacional, enfatizando a importância de se erradicar a corrupção e conter o excesso de produção industrial, a desigualdade de renda e a poluição.

Xi deixou claro que não existem planos de reforma política, mas disse que o desenvolvimento chinês entrou em uma “nova era”, frase que usou 36 vezes durante o discurso de quase três horas e meia.

“Com décadas de trabalho duro, o socialismo com características chinesas cruzou a fronteira para uma nova era”, disse.

O congresso, que ocorre duas vezes por década e dura uma semana, a maior parte do tempo a portas fechadas, culminará na seleção de um novo Comitê Permanente do Politburo, que governará os 1,4 bilhão de habitantes do país pelos próximos cinco anos. Xi deve consolidar seu controle e pode se manter no poder para além de 2022, quando o próximo congresso acontece.

Xi, de 64 anos, visto por muitos como o líder chinês mais poderoso desde Mao Tsé-Tung, discursou no Grande Salão do Povo de Pequim a mais de 2 mil delegados, entre eles o ex-presidente Jiang Zemin, hoje com 91 anos de idade. A segurança foi reforçada no dia chuvoso que envolveu a capital.

Como esperado, o discurso foi repleto de aspirações e escasso de planos específicos.

Na economia, Xi disse que a China relaxará o acesso de investimentos estrangeiros ao mercado, ampliará o acesso ao seu setor de serviços e aprofundará uma reforma de sua taxa de câmbio e seu sistema financeiro, um agrado ao mercado, ao mesmo tempo fortalecendo as estatais do país.

Durante o primeiro mandato de Xi a China decepcionou muitos dos que esperavam que a nação adotasse reformas mais favoráveis ao mercado, especialmente em seu setor estatal, onerado por dívidas.

“Se Xi conseguir o mandato político que se espera do congresso, minha esperança é que as reformas do setor estatal realmente sejam feitas”, disse Damien Ma, membro e diretor-associado do Instituto Paulson, no Reuters Global Markets Forum.

No que pode ter sido uma referência indireta à política “América Primeiro”, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Xi prometeu que a China se engajará plenamente com o mundo e reiterou as promessas de combater a mudança climática.

Reportagem adicional de Philip Wen, Pei Li, Michael Martina, Cate Cadell, Kevin Yao, Yawen Chen, Elias Glenn e Se Young Lee

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