23 de Outubro de 2017 / às 12:19 / em 2 meses

Catalunha ameaça desobediência civil enquanto Madri prepara governo direto de região

MADRI (Reuters) - A Catalunha disse nesta segunda-feira que está confiante de que todas as suas autoridades, incluindo a polícia, desafiarão as tentativas de Madri de assumir o governo direto da região, uma disputa crescente que despertou temores de distúrbios nos aliados europeus da Espanha.

Presidente do Parlamento regional da Catalunha, Carme Forcadell, durante reunião de líderes de partidos da região em Barcelona 23/10/2017 REUTERS/Ivan Alvarado

O governo espanhol invocou poderes constitucionais especiais para demitir o governo regional e forçar uma nova eleição para conter uma iniciativa de independência que vem abalando a economia. Uma votação sobre a implantação da administração direta deve ser realizada no Senado na sexta-feira.

Mas os líderes da campanha separatista disseram que o questionado referendo de 1o de outubro lhes deu um mandato para reivindicar independência do resto da Espanha.

“Não é que recusaremos (as ordens). Não é uma decisão pessoal. É uma decisão de sete milhões de pessoas”, disse o chefe de Relações Exteriores da Catalunha, Raul Romeva, à rádio BBC.

Romeva foi indagado sobre se acredita que todas as instituições, inclusive a polícia, seguirão as ordens das instâncias de poder catalãs, e não de Madri.

“E desta perspectiva, não tenho dúvida de que todos os servidores civis da Catalunha continuarão seguindo as instruções fornecidas pelas instituições eleitas e legítimas que temos instauradas atualmente (na Catalunha)”, disse.

As autoridades catalãs disseram que cerca de 90 por cento dos que participaram do referendo votaram pela separação – mas só 43 por cento do eleitorado, e 1 de 3 catalães, foram às urnas. A maioria dos opositores da secessão ficou em casa.

A crise da Catalunha deixou outros países europeus receosos de que o movimento se dissemine pelo restante do continente.

Da Escócia a Flandres e à Lombardia, a crise financeira de 2007-09, o desemprego e a imigração deram espaço para partidos anti-União Europeia e populistas nutrirem o descontentamento com as elites políticas e ressuscitarem divisões regionais.

A Lombardia e Vêneto, duas regiões ricas do norte da Itália, votaram majoritariamente a favor de uma autonomia maior em referendos realizados no domingo.

Em uma cúpula europeia da semana passada, líderes procuraram minimizar a crise espanhola com a Catalunha e descreveram a tentativa de separação como uma questão doméstica.

         (Reportagem adicional de Alistair Smout)

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