24 de Outubro de 2017 / às 14:00 / em 2 meses

Cem anos após revolução, Rússia de 2017 é mais parecida do que se imagina com a de 1917

LONDRES (Reuters) - Completará 100 anos na quarta-feira, usando o antigo calendário russo, que os bolcheviques de Vladimir Lenin invadiram o Palácio de Inverno no que hoje é São Petersburgo e assumiram o poder.

Comunistas russos são vistos através de bandeira com imagem do fundador do Estado soviético, Vladimir Lenin, durante manifestação em Stavropol, na Rússia 07/11/2010 REUTERS/Eduard Korniyenko

Não muita coisa mudou, pelo menos em termos econômicos, segundo uma pesquisa do Renaissance Capital, um banco de investimento especializado na região que diz que as Rússias de 1917 e 2017 têm mais em comum do que se poderia esperar.

A dívida, por exemplo: pouco antes da Revolução de Outubro, cerca de um terço da dívida russa estava nas mãos de estrangeiros. Hoje é a mesma coisa.

Antes de 1917, estrangeiros recebiam entre 5 e 8 por cento de renda de dividendos de ações de prestadoras de serviço russas. Hoje é a mesma coisa.

A Rússia pré-soviética ficava atrás das grandes potências mundiais em poderio industrial, mas era considerada equivalente a Brasil e México. Hoje é quase a mesma coisa.

As matérias primas eram o esteio da Rússia antes de 1917, representando dois terços de suas exportações. Essa porcentagem continua igual em 2017, segundo o Renaissance, banco de investimento que se concentra em mercados emergentes.

Finalmente, a Rússia era a maior exportadora de grãos à época. O banco calcula que, entre 2015 e 2017, os países da antiga Rússia imperial eram novamente os maiores exportadores de grãos do mundo.

Isso não significa, claro, que nada mudou. A era soviética, por exemplo, levou a uma alfabetização generalizada, mas o economista Charlie Robertson, do Renaissance Capital, observa que as áreas mais bem-sucedidas do país hoje são aquelas nas quais a alfabetização era mais alta em 1917.

A União Soviética também testemunhou a industrialização, mas nada competitiva quando comparada com a de Reino Unido, Estados Unidos e Japão.

Robertson estima que a Rússia poderia muito bem ter tido conquistas muito maiores se não fosse pela revolução e pelos anos soviéticos que a seguiram, que ele diz terem freado o desenvolvimento de uma economia moderna.

“A Rússia estava convergindo com a Itália, industrializando-se tão rápido quanto o Japão e superando a Espanha na primeira metade do século 20”, escreveu em uma nota.

“Se aquele progresso pudesse ter sido mantido, e sem... surtos de fome e a invasão contínua de inimigos estrangeiros, achamos que a Rússia seria mais populosa, mas rica e mais democrática do que é hoje”, afirmou.

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