31 de Outubro de 2017 / às 12:23 / em um mês

Notícias falsas afetam confiança na mídia, mas grandes veículos se saem melhor, diz pesquisa

LONDRES (Reuters) - Polêmicas a respeito de notícias falsas prejudicaram a confiança na mídia no Brasil e em outros países, mas o impacto é muito pior para as redes sociais e veículos de internet do que para as organizações tradicionais de mídia impressa e televisão, mostrou uma pesquisa.

Mulher lê jornal enquanto espera por metrô em Londres, Reino Unido 30/10/2017 REUTERS/Kevin Coombs

A empresa de pesquisa e dados Kantar entrevistou 8 mil pessoas nos Brasil, nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França, e descobriu que jornais, revistas e canais de TV mantiveram um índice de confiança pública maior do que os meios digitais.

Nos EUA, a grande mídia noticiou a disseminação online de reportagens fabricadas para ajudar Donald Trump a se eleger presidente no ano passado. Já Trump acusou a grande mídia de produzir notícias falsas.

No geral, 58 por cento dos entrevistados disseram que, por terem tomado conhecimento de notícias falsas, passaram a confiar menos em reportagens nas redes sociais sobre política ou eleições. Para a mídia tradicional a cifra foi de 24 por cento.

“Os esforços para rotular a ‘mídia tradicional’ como ‘notícias falsas’ fracassou em grande parte”, disse a Kantar.

A pesquisa estabeleceu uma ligação entre profundidade da cobertura e níveis de confiança. Os resultados indicaram que uma proporção muito maior de pessoas tem em alta conta as revistas, os canais de notícia de TV, os rádios e os jornais para análises e comentários aprofundados do que as reportagens de redes sociais.

“As audiências de notícias estão longe de estar emburrecendo. Elas exigem conteúdo sério, e proporcionar este tipo de conteúdo ajudará a aprofundar a natureza dos relacionamentos dos consumidores com organizações de notícias offline e online”, disse o estudo.

A Kantar disse que sua análise mostrou que o uso da expressão “notícias falsas” aumentou no noticiário tradicional aproximadamente na época da eleição presidencial norte-americana de novembro de 2016, e atingiu um pico no primeiro dia de Trump no cargo, em janeiro deste ano.

Mas não houve consenso e clareza quanto à definição e a origem das notícias falsas.

Indagados sobre o que a expressão significa, 58 por cento dos entrevistados responderam que se refere a reportagens fabricadas deliberadamente por uma organização de notícias tradicional. Para 42 por cento, descreve reportagens produzidas por alguém fingindo ser uma organização de notícias.

Dos quatro países pesquisados, o Brasil mostrou a maior proporção de pessoas que acreditam que as notícias falsas influenciaram o resultado de eleições em seu país – 69 por cento.

Por Estelle Shirbon

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