31 de Outubro de 2017 / às 14:12 / em um mês

Líder catalão deposto aceita eleição e fala em "longo caminho" para independência

BRUXELAS/MADRI (Reuters) - O líder catalão deposto, Carles Puigdemont, disse nesta terça-feira que aceita a eleição antecipada pelo governo central da Espanha depois que Madri assumiu o controle direto da região para impedir uma tentativa de independência.

Líder destituído da Catalunha, Carles Puigdemont, durante coletiva de imprensa em Bruxelas, na Bélgica 31/10/2017 REUTERS/Yves Herman

Falando em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, Puigdemont também disse que não busca asilo na Bélgica apesar de o procurador público da Espanha ter recomendado acusá-lo de rebelião e sedição. Ele voltará à Catalunha quando receber “garantias” do governo espanhol, afirmou.

O anúncio de Puigdemont de que aceitará a eleição regional de 21 de dezembro confirmou que Madri se impôs na luta prolongada pelo controle da Catalunha, ao menos por ora.

A resistência à imposição governamental de controle direto sobre a região não se materializou no início desta semana, e a liderança separatista enfrenta um momento de desorganização.

O Tribunal Constitucional espanhol barrou nesta terça-feira a declaração unilateral de independência feita pelo Parlamento catalão na sexta-feira, uma medida que não ganhou ímpeto e foi descartada menos de uma hora mais tarde.

“Peço ao povo catalão que se prepare para um longo caminho. A democracia será o fundamento de nossa vitória”, afirmou Puigdemont.

Uma pesquisa regional oficial publicada na terça-feira mostrou que o apoio à criação de um Estado independente da Catalunha aumentou para o nível mais alto desde dezembro de 2014. Cerca de 48,7 por cento dos catalães acreditam que a região deve ser independente, de acordo com a sondagem do Centro de Estudos de Opinião, acima dos 41,1 por cento vistos em junho.

O governo espanhol tem dito que o líder catalão é bem-vindo para participar da eleição de dezembro, convocada pelo primeiro-ministro, Mariano Rajoy, como forma de resolver o impasse.

A crise política, a mais grave do país nas quatro décadas passadas desde o retorno da democracia no final dos anos 1970, foi desencadeada por um referendo de independência na Catalunha realizado em 1º de outubro.

Embora ele tenha sido declarado ilegal pelos tribunais espanhóis e menos da metade dos eleitores catalães tenha ido às urnas, o governo regional pró-secessão disse que a votação lhe deu um mandato para decretar a independência.

Algumas nações europeias, como Reino Unido, Alemanha e França, apoiaram Rajoy e rejeitaram um Estado catalão independente, mas outras pediram diálogo entre os lados opostos.

Reportagem adicional de Paul Day e Sonya Dowsett, em Madri, e Lucasta Bath e Clement Rossignol, na Bélgica

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