1 de Novembro de 2017 / às 12:29 / em um mês

Integrante do Partido Trabalhista britânico diz que foi estuprada e aconselhada a não denunciar

LONDRES (Reuters) - Uma integrante do Partido Trabalhista, legenda de oposição do Reino Unido, disse que foi estuprada em um evento partidário quando tinha 19 anos e que uma autoridade do partido a desestimulou a denunciar o ataque para evitar prejudicar sua carreira.

A revelação de Bex Bailey, hoje com 25 anos, é a mais séria a emergir de uma onda de alegações de má conduta sexual de homens poderosos a assolar a política britânica na esteira do escândalo do produtor de cinema norte-americano Harvey Weinstein.

O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, que ordenou uma investigação sobre a alegação, disse que Bex não recebeu apoio do partido quando relatou o que ocorreu.

“Bex Bailey mostrou uma coragem incrível ao falar publicamente sobre o que aconteceu com ela e tem meu total apoio e minha solidariedade”, disse em um comunicado publicado em sua página de Facebook.

“Não haverá tolerância no Partido Trabalhista com sexismo, assédio ou abuso. Custe o que custar, estamos absolutamente comprometidos a extirpá-los”.

Na terça-feira, Bex disse à rádio BBC que foi violentada por alguém que era seu superior no partido em 2011. Ela disse que tentou fingir que nada havia acontecido e que não o denunciou à polícia na ocasião.

“Estava assustada. Sentia vergonha. Sei que o Partido Trabalhista, como toda família, adora uma boa fofoca, e não queria que as pessoas soubessem, e também temi que não acreditassem em mim se falasse”, disse.

Dois anos depois ela contou o caso a um membro de alto escalão do partido, e ficou subentendido que ela não deveria relatar o ocorrido porque isso poderia prejudicá-la. Ela não recebeu nenhum conselho sobre o que deveria fazer em seguida.

“Essa pode ser a visão genuína, pode ser que esse fosse o caso, em cujo caso isso mostra que temos mesmo um problema sério na política com esta questão”, disse Bex, ex-membro do Comitê Executivo Nacional dos trabalhistas.

Ela pediu que uma agência independente, como uma instituição de caridade, lide com as alegações, ao invés de alguém de dentro do partido “que esteja inclinado a ser fiel ao Partido Trabalhista”.

Separadamente, a primeira-ministra britânica, Theresa May, ordenou investigações de dois de seus ministros depois que alegações foram feitas contra eles.

Seu vice, Damian Green, nega ter assediado uma mulher 30 anos mais jovem, e o ministro do Comércio, Mark Garnier, disse ter brincado quando pediu à sua assistente para lhe comprar brinquedos sexuais.

Por Estelle Shirbon

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