23 de Novembro de 2017 / às 17:22 / em 21 dias

Papa enfrenta dilema diplomático em visita a Mianmar

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco visitará Mianmar na próxima semana, em uma viagem delicada do líder católico para um país de maioria budista acusado pelos Estados Unidos de “limpeza étnica” da população muçulmana rohingya.

Papa Francisco na praça de São Pedro, no Vaticano 22/11/2017 REUTERS/Max Rossi

Francisco também visitará Bangladesh, para onde mais de 60 mil pessoas fugiram do que a Anistia Internacional chama de “crimes contra a humanidade”, incluindo assassinato, estupro, tortura e expulsões forçadas, alegações que as Forças Armadas de Mianmar negam.

A viagem é tão delicada que alguns dos assessores do papa o aconselharam a sequer pronunciar a palavra “rohingya”, para evitar um incidente diplomático que possa fazer o governo e os militares se voltarem contra a minoria cristã do país.

Os momentos mais tensos da visita marcada para entre os dias 26 de novembro e 2 de dezembro devem ser os encontros privados com o chefe do Exército, o general Min Aung Hlaing, e, separadamente, com a líder civil do país, Aung San Suu Kyi.

Mianmar não reconhece os rohingyas como cidadãos, nem como um grupo com identidade própria, o que coloca Francisco em um dilema numa visita a um país de 51 milhões de pessoas e apenas cerca de 700 mil católicos.

“Ele corre o risco ou de colocar sua autoridade moral em perigo ou de colocar em risco os cristãos daquele país”, disse o padre Thomas Reese, um proeminente autor e analista do Religion News Service.

“Tenho grande admiração pelo papa e por suas habilidades, mas alguém deveria tê-lo convencido a não fazer essa viagem”, escreveu.

Fontes do Vaticano afirmam que alguns na Santa Sé acreditam que a viagem foi decidida de forma açodada depois que laços diplomáticos totais foram estabelecidos em maio durante uma visita de Suu Kyi, cuja reputação global como uma vencedora do prêmio Nobel da Paz tem sido manchada pela manifestação de dúvidas sobre as acusações de abusos de direitos humanos e pelo fracasso em condenar as ações dos militares.

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