5 de Dezembro de 2017 / às 14:02 / em 7 dias

Turquia pode cortar laços com Israel se EUA reconhecerem Jerusalém como capital, diz Erdogan

ANCARA (Reuters) - O presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, disse nesta terça-feira que a Turquia poderia chegar a romper os laços diplomáticos com Israel se os Estados Unidos reconhecerem Jerusalém formalmente como a capital israelense, medida que seria uma “linha vermelha” para os muçulmanos, afirmou.Autoridades dos EUA disseram que é provável que o presidente Donald Trump faça um discurso na quarta-feira reconhecendo Jerusalém como capital do Estado judeu unilateralmente, um gesto que romperia com décadas de política norte-americana para o conflito e poderia atiçar a violência no Oriente Médio.Israel capturou o leste árabe de Jerusalém na Guerra dos Seis Dias de 1967 e mais tarde o anexou, declarando a totalidade da cidade como sua capital – uma medida não reconhecida internacionalmente. Os palestinos querem Jerusalém Oriental como a capital de seu futuro Estado.“Estou entristecido com as reportagens de que os EUA estão se preparando para reconhecerem Jerusalém como capital de Israel”, disse Erdogan.“Senhor Trump, Jerusalém é a linha vermelha para os muçulmanos. É uma violação da lei internacional tomar uma decisão apoiando Israel enquanto as feridas da sociedade palestina ainda estão sangrando”, disse ele durante uma reunião parlamentar do governista Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco).“... isto pode chegar ao ponto de cortar os laços da Turquia com Israel. Estou alertando os EUA a não darem tal passo, que aprofundará os problemas na região”.Os porta-vozes do governo israelense não tiveram nenhuma reação imediata, mas o ministro da Educação, Naftali Bennett, membro destacado do governo de coalizão do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, desconsiderou os comentários de Erdogan.“Sempre haverá aqueles que criticam, mas no final das contas é melhor ter uma Jerusalém unida do que a simpatia de Erdogan”, disse.

Presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, durante pronunciamento no Parlamento em Ancara 05/12/2017 REUTERS/Umit Bektas

​ (Por Ercan Gurses, Daren Butler e Ezki Erkoyun na Turquia e Dan Williams em Jerusalém)

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