October 4, 2019 / 1:14 PM / 2 months ago

Kremlin exalta relação especial com a China em meio a cooperação em sistema antimísseis

Presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou 02/10/2019 Sputnik/Alexei Nikolsky/Kremlin via REUTERS

MOSCOU (Reuters) - O Kremlin disse nesta sexta-feira que a decisão da Rússia de ajudar a China a construir um novo sistema de alerta para detectar ataques de mísseis mostra que os dois países têm um relacionamento especial.

O presidente russo, Vladimir Putin, disse que a Rússia está ajudando a China a construir um sistema de alerta para flagrar lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, algo que só a Rússia e os Estados Unidos possuem na atualidade.

“Isto é algo muito sério que reforçará radicalmente a capacidade defensiva da China”, afirmou Putin.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, não quis dizer quando o sistema entrará em operação, mas disse aos repórteres em uma teleconferência que a medida ressaltou os laços estreitos de sua nação com a China.

As relações da Rússia com a China foram caracterizadas por uma desconfiança mútua no passado, e na Rússia há quem receie a influência chinesa no leste do país, rico em minerais e povoado de maneira esparsa. Os vizinhos compartilham uma fronteira de 4.200 quilômetros.

Mas a Rússia se voltou para o Oriente depois que o Ocidente lhe impôs sanções devido à anexação da ucraniana Crimeia em 2014, e os vínculos comerciais com a China se expandiram desde então.

“A Rússia tem relações especiais de parceria avançada com a China... inclusive nas (áreas) mais sensíveis ligadas à cooperação técnico-militar e aos recursos de segurança e defesa”, disse Peskov a repórteres.

O Ministério das Relações Exteriores chinês não pôde responder de imediato a um pedido de comentário da Reuters durante os feriados do aniversário da China desta semana.

No ano passado, a Rússia realizou seus maiores exercícios militares desde os tempos da União Soviética e convidou a China a participar, uma decisão vista como a sinalização de laços militares mais estreitos.

Por Tom Balmforth e Katya Golubkova, em Moscou, e Ryan Woo, em Pequim

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