October 17, 2019 / 10:55 PM / 25 days ago

Após reconhecer conexão entre pedido de Trump e retenção de ajuda à Ucrânia, chefe de gabinete recua e nega troca de favores

WASHINGTON (Reuters) - Após reconhecer mais cedo nesta quinta-feira que a retenção determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de 391 milhões de dólares em ajuda militar à Ucrânia estava ligada ao seu pedido para que os ucranianos investigassem uma alegação —desmascarada como uma teoria da conspiração— sobre a eleição de 2016 nos EUA, o chefe de gabinete interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, negou que tivesse havido troca de favores.

Chefe de gabinete interino da Casa Branca, Mick Mulvaney, dá entrevista na Casa Branca 17/10/2019 REUTERS/Leah Millis

Autoridades ligadas a Trump e a seu governo negaram por semanas que exigiram um “quid pro quo” - frase em latim que significa uma troca de favores - para entregar a ajuda dos EUA, parte essencial de uma controvérsia que desencadeou uma investigação de impeachment na Câmara dos Deputados contra o presidente republicano.

Mas Mick Mulvaney, chefe de gabinete interino da Casa Branca, reconheceu em um briefing realizado mais cedo com repórteres que a ajuda dos EUA - já aprovada pelo Congresso - foi retida em parte pelas preocupações de Trump sobre um servidor de computador do Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) supostamente na Ucrânia.

“Tenho notícias para todos: superem isso. Haverá influência política na política externa”, afirmou Mulvaney, acrescentando que “não há dúvida” de que o servidor do DNC foi uma das razões que levaram a Casa Branca a adiar o fornecimento de recursos à Ucrânia.

Posteriormente, no entanto, Mulvaney voltou atrás na declaração que havia dado e negou a ocorrência de uma troca de favores.

“Deixe-me ser claro, não houve absolutamente quid pro quo entre a ajuda militar à Ucrânia e qualquer investigação sobre a eleição de 2016... Não houve qualquer condição sobre o fluxo de ajuda relacionado à questão do servidor do DNC”, disse Mulvaney.

Em uma ligação telefônica de 25 de julho, Trump pediu ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, um “favor” de examinar o servidor e a empresa de segurança cibernética CrowdStrike, da Califórnia, que foi contratada pelo DNC em 2016 para investigar invasão de e-mails democratas que mais tarde determinou-se que foi feita pela Rússia.

Trump também pediu a Zelenskiy que investigasse um oponente político, Joe Biden, e o filho de Biden, Hunter Biden, que havia atuado como diretor de uma empresa de energia ucraniana.

Zelenskiy concordou durante o telefonema em realizar a investigação que Trump buscava. Mais tarde, a ajuda dos EUA foi fornecida à Ucrânia.

Biden, ex-vice-presidente dos EUA nos governos de Barack Obama, é o principal democrata na disputa para desafiar Trump na eleição presidencial norte-americana marcada para o ano que vem.

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