October 29, 2019 / 12:56 PM / 19 days ago

Forças de segurança do Iraque abrem fogo contra manifestantes e matam 14

Manifestantes perto de barricada em chamas durante protesto em Kerbala, no Iraque 29/10/2019 Mohammed Al Saady/via REUTERS

HILLA, Iraque/BAGDÁ (Reuters) - Forças de segurança do Iraque mataram ao menos 14 pessoas na cidade xiita sagrada de Kerbala de madrugada depois de abrir fogo contra manifestantes, disseram fontes médicas e de segurança, retomando táticas denunciadas por um inquérito interno do próprio governo.

Ao menos 865 pessoas ficaram feridas, disseram as fontes. Três manifestantes morreram em Nassiriya, cidade do sul do país, em resultado de ferimentos sofridos em protestos anteriores.

O chefe do departamento de saúde de Kerbala disse que 122 se feriram, incluindo 66 membros das forças de segurança.

O chefe de polícia de Kerbala negou em um comunicado que algum manifestante tenha sido morto e disse que só uma pessoa morreu em um incidente criminoso sem relação com os protestos, afirmando que as filmagens de forças de segurança disparando contra manifestantes que viralizaram nas redes sociais foram fabricadas e criadas para “incitar a rua”.

Milhares de iraquianos foram às ruas nesta semana em uma segunda onda de protestos contra o governo do primeiro-ministro Adel Abdul Mahdi e uma elite política que acusam de corrupção. O saldo total de mortes desde 1º de outubro, o início dos tumultos, está em ao menos 250 pessoas.

Os tumultos, provocados pelo descontentamento com a penúria econômica e a corrupção enraizada, irromperam após quase dois anos de estabilidade relativa no Iraque, que foi vítima de uma ocupação estrangeira, uma guerra civil e uma insurgência do Estado Islâmico entre 2003 e 2017.

Membro da Opep, o Iraque desfruta de uma vasta riqueza petrolífera, mas muitos cidadãos vivem na pobreza ou têm acesso limitado a água limpa, eletricidade, serviços básicos de saúde e educação.

Reportagem de Ali al-Rubei, em Hilla, e Ahmed Aboulenein, em Bagdá; Reportagem adicional de Ahmed Rasheed, em Bagdá, e de um correspondente da Reuters em Nassiriya

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