December 31, 2019 / 2:20 PM / 21 days ago

Trump culpa Irã enquanto protestos eclodem no lado de fora da embaixada dos EUA no Iraque

BAGDÁ (Reuters) - Manifestantes enfurecidos por ataques aéreos dos Estados Unidos no Iraque realizaram um violento protesto no lado de fora da embaixada norte-americana em Bagdá nesta terça-feira, ateando fogo e atirando pedras, enquanto forças de segurança e guardas lançavam gás lacrimogêneo e granadas de choque para repelir os ataques.

Manifestantes e milicianos atearam fogo em um prédio de segurança da Embaixada dos EUA, enquanto as pessoas se reúnem para condenar ataques aéreos em bases pertencentes a Hashd al-Shaabi (forças paramilitares), em Bagdá, Iraque. 31/12/2019. REUTERS/Khalid al-Mousily

Em Washington, o presidente Donald Trump acusou o Irã de orquestrar a violência e disse que Teerã seria responsabilizada. Mais tropas norte-americanas foram enviadas à embaixada, disseram oficiais americanos.

Os protestos foram liderados por milícias apoiadas pelos iranianos e duraram várias horas, mas o Departamento de Estado dos EUA disse posteriormente que os funcionários norte-americanos estavam seguros e que o local não havia sido invadido.

Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que relatos de oficiais iraquianos de que o embaixador havia sido retirado do local eram falsos. O diplomata Matt Tueller estava em uma viagem pessoal previamente marcada e retornava à embaixada, disse a autoridade. Não havia planos para retirada em massa de pessoas do local.

Os protestos pareceram uma uma escalada do conflito indireto entre Washington e Teerã —muito influente no Iraque—, enquanto grandes manifestações desafiam o próprio sistema político iraquiano, quase 17 anos depois da invasão dos EUA que derrubou Saddam Hussein.

Houve uma mudança no foco dos protestos contra o governo e a favor de milícias pró-Irã na direção dos Estados Unidos.

Ataques aéreos norte-americanos no domingo contra bases de uma milícia apoiada pelos iranianos mataram pelo menos 25 soldados e feriram 55.

Esses ataques, contra a milícia Kataib Hezbollah, foram uma resposta ao assassinato de um civil norte-americano em um ataque com míssil a uma base militar iraquiana.

“O Irã matou um funcionário terceirizado norte-americano e feriu vários. Respondemos com força e sempre o faremos”, disse Trump no Twitter. “Agora o Irã está orquestrando um ataque contra a embaixada norte-americana no Iraque. Ele serão totalmente responsabilizados”.

“AMÉRICA NÃO”

Os manifestantes, incluindo homens da milícia, colocaram fogo em um posto de segurança na entrada da embaixada, disseram testemunhas da Reuters, atiraram pedras contra o portão, enquanto outros cantavam “América, não, não! Trump, não, não!”.

Forças especiais do Iraque foram colocadas em volta do portão principal para evitar a entrada de manifestantes. Forças antiterrorismo treinadas e equipadas pelos EUA chegaram depois para dar mais suporte.

Fontes médicas disseram que 12 homens da milícia foram feridos pelo gás lacrimogêneo e pelas granadas de choque atiradas para dispersar a multidão.

O Washington Post publicou que diplomatas norte-americanos e funcionários estavam reunidos em uma sala fortificada na embaixada, segundo duas pessoas consultadas por um aplicativo de mensagens.

Algumas horas depois de o protesto começar, algumas das milícias encorajaram manifestantes a irem embora por meio de alto-falantes.

“Entregamos nossa mensagem, por favor, deixem o local para evitar o derramamento de sangue”, dizia um anúncio.

Seguranças dentro da embaixada também atiraram granadas de choque contra manifestantes no lado de fora do portão. Correspondentes da Reuters ouviram pelo menos sete altas explosões.

Uma testemunha da Reuters viu sangue no rosto de um dos homens da milícia feridos e no abdômen de outro, enquanto seus colegas os tiravam do local.

“FECHADO EM NOME DO POVO”

Milhares de iraquianos têm ido às ruas quase diariamente para condenar, entre outras pontos, milícias como a Kataib Hezbollah e seus padrinhos iranianos que apoiam o governo do primeiro-ministro iraquiano Adel Abdul Mahdi.

Mas, nesta terça-feira, foram as milícias que protestaram, pichando “Fechado em nome do povo” nos portões da embaixada norte-americana e quebrando câmeras de segurança ao redor do prédio.

Qais al-Khazali, líder da milícia Asaib Ahl al-Haq, e outros importantes líderes estavam entre os manifestantes.

“Norte-americanos não são bem-vindos no Iraque. São fonte do mal e queremos que eles saiam”, disse Khazali, um dos mais importantes aliados do Irã no Iraque.

A Kataib Hezbollah é uma das menores, mas mais poderosas milícias apoiadas pelo Irã. Sua bandeira foi pendurada na cerca que circunda a embaixada.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, conversou com Abdul-Mahdi e com o presidente Barham Salih por telefone, de Washington, e disse que eles garantiram a segurança dos funcionários e da propriedade dos EUA.

“O secretário deixou claro que os Estados Unidos protegerão e defenderão seu povo, que estão lá para apoiar um soberano e independente Iraque”, disse uma porta-voz do Departamento de Estado.

Mais de 5 mil tropas norte-americanas estão no Iraque apoiando forças locais, embora o Iraque tenha rejeitado a longa presença de forças adicionais dos EUA que cruzaram a fronteira durante a retirada dos EUA do norte da Síria.

Por Ahmed Rasheed, Maher Nazeh e Thaier al-Sudani; reportagem adicional de Doina Chiacu

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