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Acordo comercial não é panaceia para relações estremecidas entre EUA e China 

WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - As profundas desavenças políticas entre Pequim e Washington, do Mar do Sul da China à Huawei, devem persistir, mesmo com o avanço nas relações comerciais, enquanto os Estados Unidos reagem a uma China cada vez mais poderosa e assertiva.

Presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o vice-premiê chinês, Liu He, durante cerimônia de assinatura de acordo comercial 15/01/2020 REUTERS/Kevin Lamarque

As relações entre as duas maiores economias do mundo se deterioram gravemente desde que o presidente norte-americano, Donald Trump, impôs tarifas punitivas ao país asiático em 2018, iniciando uma guerra comercial.

“O cenário mais amplo, de escuridão, não ficará mais iluminado por conta deste acordo”, disse Bates Gill, especialista em políticas de segurança da Universidade Macquarie de Sydney, sobre o acordo comercial inicial assinado na quarta-feira.

Esse panorama inclui a militarização da China no Mar do Sul da China, o aumento das tensões com Taiwan, considerada parte do país pelo governo de Pequim, as críticas dos Estados Unidos sobre os abusos de direitos humanos em Hong Kong e Xinjiang, e a reação contra a fabricantes de produtos eletrônicos Huawei.

Embora o acordo inicial resolva uma disputa que já dura 18 meses e afetou o crescimento econômico global, especialistas dizem que é improvável que o documento alivie tensões mais amplas ancoradas em preocupações dos Estados Unidos com uma China poderosa econômica e tecnologicamente e com forças armadas se modernizando.

“Podemos ver a Fase 1 como um tratamento de emergência para abaixar a temperatura, mas ele não aborda problemas fundamentais”, disse Wang Heng, professor da Universidade da Nova Gales do Sul, em Sydney, e que estuda a relação econômica entre China e Estados Unidos.

HOSTILIDADE

Washington está cada vez mais preocupado com as implicações de segurança relacionadas às tecnologias chinesas, e tornou suas regras mais rigorosas para controlar aquisições de tecnologia importante por parte da China, colocando em movimento mudanças na cadeia produtiva global.

“A liderança chinesa não é ingênua sobre isso”, disse Gill. “Eles já estão fazendo movimentos para se tornarem mais autônomos e estão pensando sobre um futuro em um ambiente de hostilidade.”

O governo Trump colocou a gigante de equipamentos para telecomunicações Huawei Technologies Co [HWT.UL] em uma lista negra comercial de preocupações, proibindo-a de comprar matéria-prima de empresas norte-americanas sem aprovação do governo dos Estados Unidos.

A gestão também tomou medidas para conter as exportações de softwares de inteligência artificial.

Novas regras dos Estados Unidos para deixar mais rigorosos os critérios para investimentos estrangeiros entram em vigor no dia 13 de fevereiro, aumentando os poderes do Comitê de Investimentos Internacionais nos Estados Unidos (CFIUS), que progressivamente demonstra sua força contra as empresas chinesas.

Intervenções do CFIUS, que revisa fusões e compras de ações para garantir que essas transações não prejudiquem a segurança nacional, resultaram na queda dramática de investimentos chineses nos Estados Unidos. O investimento chinês direto nos Estados Unidos caiu 90% para 1,9 bilhão de dólares em 2019 na comparação com o pico em 2016, de acordo com dados da Refinitiv.

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