January 20, 2020 / 6:17 PM / 6 months ago

Painel nomeado por governo de Mianmar não encontra “genocídio” contra minoria rohingya

Refugiados rohingyas participam de oração no acampamento de Cox Bazar, em Bangladesh 25/08/2019 REUTERS/Rafiqur Rahman

YANGON (Reuters) - Um painel nomeado pelo governo de Mianmar para investigar acusações de abusos no Estado de Rakhine em 2017 que causou indignação global informou nesta segunda-feira que não encontrou evidências de genocídio contra a minoria muçulmana rohingya.

Mais de 730.000 rohingyas fugirem do Estado de Rakhine durante semanas de violência brutal, durante as quais a Organização das Nações Unidas afirmou que estupros e assassinatos em massa foram realizados com “intenção genocida”. Centenas de aldeias foram incendiadas e posteriormente arrasadas.

A comissão de inquérito disse que havia “bases razoáveis” para concluir que membros das forças de segurança, entre “múltiplos atores”, foram responsáveis por possíveis crimes de guerra e graves violações dos direitos humanos durante uma repressão liderada por militares contra o grupo em 2017.

Isso inclui “a matança de moradores inocentes e a destruição de suas casas”, afirmou o documento.

Mas em seu comunicado, publicado para marcar a finalização de um relatório completo com base em entrevistas com moradores e membros das forças de segurança, o painel culpou os militantes rohingyas por atacar 30 postos da polícia e “provocar” a repressão, e descreveu a situação como um “conflito armado interno”.

“Não há evidências suficientes para argumentar, muito menos concluir, que os crimes foram cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, ou com qualquer outro estado mental necessário para o crime internacional de genocídio”, informou o comunicado do painel.

De acordo com a nota, o painel havia submetido o relatório ao governo, mas não disse se seria tornado público.

Em Bangladesh, onde centenas de milhares de rohingyas que fugiram de Mianmar se refugiaram, um líder rohingya, Dil Mohammed, criticou o relatório. “Somos perseguidos há décadas. Muitas pessoas foram mortas, nossas mulheres foram estupradas, nossos filhos foram jogados no fogo e nossas casas foram incendiadas. Se não é genocídio, o que é?”, ele disse.

Reportagem de Poppy Elena McPherson, Reportagem adicional de Ruma Paul em Daca

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