January 30, 2020 / 7:19 PM / 4 months ago

Chile tem outro dia de violência após morte de torcedor de futebol

Ônibus queimado após protestos contra o governo em Santiago 30/01/2020 REUTERS/Edgard Garrido

SANTIAGO (Reuters) - A recente morte de um torcedor de futebol atingido por um caminhão da polícia causou novos episódios de violência no Chile, deixando um morto, vários feridos e dezenas de detidos, em meio a um clima geral de mobilização que sacode o país desde meados de outubro.

O governo e a polícia disseram nesta quinta-feira que desde a noite de quarta houve cerca de 20 ataques a delegacias em Santiago e outras cidades que deixaram 46 agentes de segurança feridos. Houve também confrontos com forças de segurança, incêndios, saques a comércios e suspensão temporária do transporte público na capital.

Confrontos semelhantes foram registrados em outras cidades como Antofagasta, Valparaíso e Concepción. Além disso, em Santiago, uma pessoa morreu atropelada por um ônibus de transporte público dirigido por quem o roubou momentos antes. A promotoria está investigando o caso.

“Sem dúvida, este dia foi o mais violento do ano 2020 e nos lembra os piores momentos de outubro do ano passado”, disse Enrique Bassaletti, chefe de polícia da região de Santiago.

Na noite de terça-feira, um torcedor do clube de futebol Colo Colo morreu ao ser atingido por um caminhão da polícia para transporte de cavalos, nos arredores de um estádio de Santiago, onde, pouco antes, havia terminado um jogo.

Segundo a versão oficial, o policial que dirigia o caminhão estava sendo atacado em meio a incidentes e barricadas e não percebeu o atropelamento. Testemunhas disseram à imprensa local que o caminhão passou muito rápido pelo local e não parou após o incidente. O policial que dirigia o caminhão foi preso e será investigado.

Alguns incidentes se estenderam até quinta-feira em várias áreas de Santiago, enquanto as mídias sociais convocavam uma manifestação de torcedores para a tarde de sexta-feira em uma praça central da capital.

O Chile tem sido abalado desde 18 de outubro pelos maiores protestos sociais desde o retorno à democracia, três décadas atrás, que deixaram 31 mortos, segundo a promotoria, um forte impacto na atividade econômica e danos milionários à propriedade pública e privada.

Reportagem de Natalia Ramos

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