February 20, 2020 / 8:48 PM / 5 months ago

Suspeito de matar 9 em bares de narguilé na Alemanha publicou manifesto racista online, dizem procuradores

HANAU, Alemanha (Reuters) - Um homem suspeito de matar nove pessoas em bares de narguilé na Alemanha antes de assassinar sua mãe e se matar publicou um manifesto online, que incluía teorias da conspiração e opiniões profundamente racistas, disseram procuradores nesta quinta-feira.

Multidão participa de vigília pelas vítimas dos ataques a tiros em Hanau 20/02/2020 REUTERS/Kai Pfaffenbach

Os ataques ocorreram na noite de quarta-feira e visaram dois bares de narguilé de Hanau, cidade do Estado de Hesse, no oeste da Alemanha, próxima de Frankfurt.

A polícia rastreou um carro usado para deixar o local de um dos ataques até o endereço de seu proprietário, onde encontrou os corpos de um alemão de 43 anos e de sua mãe de 72, disse o ministro do Interior de Hesse, Peter Beuth.

Procuradores federais disseram ter assumido o caso devido aos indícios de que o ataque teve motivação extremista, e o jornal Bild disse que o suspeito havia expressado posições de extrema-direita em uma confissão por escrito.

“Na página inicial do suspeito, ele publicou mensagens em vídeo e um tipo de manifesto que, além de pensamentos obscuros e teorias absurdas da conspiração, apontava para pontos de vista profundamente racistas”, disse o promotor público Peter Frank.

Nos bares de narguilé, os clientes fumam tabaco com sabor em um cachimbo comunitário. Em países ocidentais, é comum seus donos e administradores serem do Oriente Médio ou do sul da Ásia, onde o uso do narguilé é uma tradição de muitos séculos.

Alguns dos mortos tinham origem turca, disse o porta-voz da Presidência da Turquia. “Esperamos que as autoridades alemãs mostrem o máximo de esforço para esclarecer o caso. O racismo é um câncer coletivo”, disse Ibrahim Kalin no Twitter.

A revista alemã Focus citou fontes de segurança segundo as quais muitas das vítimas tinham origem imigrante.

A chanceler Angela Merkel condenou o “veneno” do racismo enquanto seu vice, Olaf Scholz, afirmou em seu Twitter que “politicamente, ninguém pode negar que 75 anos após a ditadura nazista há um verdadeiro terror novamente”.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que é alemã, disse que ficou profundamente chocada e solidarizou com as famílias e amigos das vítimas.

O cenário político da Alemanha se polarizou nos últimos anos, já que uma onda imigratória e a desaceleração econômica ajudam a atiçar o apoio a grupos extremistas dos dois lados do espectro.

Em outubro, um atirador antissemita abriu fogo diante de uma sinagoga alemã no Yom Kippur, o dia mais sagrado do ano judeu, e matou duas pessoas enquanto transmitia o ataque ao vivo.

As autoridades proibiram alguns grupos de extrema-direita de patrocinarem a violência, e o consenso político pós-guerra de centro do país está sendo minado pelo endosso crescente ao partido anti-imigrante Alternativa para a Alemanha (AfD), sobretudo nos ex-Estados comunistas do leste.

A polícia disse não haver indícios de que outros suspeitos tenham se envolvido no ataque em Hanau.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below