May 6, 2020 / 12:42 PM / in 22 days

Inclusão de óbitos em casa pode fazer taxa de mortalidade da Covid-19 disparar na França

PARIS (Reuters) - Em abril, um morador idoso de Seine-Saint-Denis, comuna mais pobre da França nos arredores de Paris, foi ao hospital com receio de estar com a Covid-19. O exame deu negativo e o aposentado foi mandado para casa. Dez dias depois ele foi encontrado morto.

Passageiros aguardam no aeroporto Charles De Gaulle, em Paris 06/05/2020 REUTERS/Benoit Tessier

Por ora, a morte não consta da taxa de mortalidade oficial da Covid-19 no país, que só inclui as pessoas que morrem em hospitais e casas de repouso.

Mas dados do escritório de estatísticas INSEE mostram um aumento nacional de falecimentos em casa. O crescimento é particularmente pronunciado em alguns dos subúrbios de baixa renda nos arredores do centro de Paris.

“Está claro que a Covid-19 está matando muito mais gente em casa”, disse um agente de saúde a par da morte do aposentado, “porque eles não sabiam que a tinham ou tinham muito receio de pedir ajuda a outros”.

O coronavírus já matou mais de 25.500 pessoas na França, a quinta maior taxa de mortalidade, vindo atrás das de Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Espanha.

O governo planeja acrescentar as mortes domiciliares em junho. Quantas é difícil projetar, já que as autoridades de saúde não estão realizando exames de detecção de Covid-19 em pessoas que morrem em casa.

Dados do INSEE mostram que 109.327 pessoas morreram na França durante o período de 1º de março a 20 de abril, um aumento de 26% e 15% em relação aos períodos correspondentes de 2019 e 2018. As mortes conhecidas de Covid-19 que foram relatadas representam, portanto, 19% do total de mortes.

Os dados apontam que os óbitos ocorridos em casa durante este período saltaram para 28% em relação a 2019 e chegaram a 26.324

Jacques Battistoni, presidente da União Nacional Geral de Clínicos da França, disse à Reuters que sua organização estimou que ao menos 9 mil pessoas morreram de Covid-19 em casa, cifra baseada no fato de um de cada seis dos 55 mil clínicos-gerais do país ter relatado ao menos uma morte possível de Covid-19.

“As pessoas têm tido medo de procurar médicos ou de perturbá-los, e os sintomas às vezes são benignos”, disse Battistoni.

Estatísticas oficiais indicam que o aumento das taxas de mortalidade durante o surto de coronavírus tem sido acentuadamente maior em alguns dos distritos de renda mais baixa na periferia do anel rodoviário que envolve Paris.

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