for-phone-onlyfor-tablet-portrait-upfor-tablet-landscape-upfor-desktop-upfor-wide-desktop-up

Culpem a China e reativem a economia; Trump adota nova mensagem de campanha em meio à pandemia

(Reuters) - George Engelmann, eleitor indefinido do igualmente indefinido Estado norte-americano de Wisconsin, disse que o presidente Donald Trump conquistou seu voto para a eleição de novembro graças à sua reação à pandemia de coronavírus.

05/05/2020 REUTERS/Tom Brenner

Engelmann, que votou duas vezes no democrata Barack Obama, mas passou a apoiar o republicano Trump em 2016, acredita que o presidente é o mais indicado para reativar a economia devastada pelo vírus, e não seu rival democrata, Joe Biden. Ele também confia que Trump responsabilizará Pequim pela pandemia do novo coronavírus, que surgiu na cidade chinesa de Wuhan.

“Com certeza prefiro Trump lutando contra a China do que Biden, de longe”, disse Engelmann, de 50 anos, que trabalha para uma empresa de distribuição de alimentos do condado de Racine, no Wisconsin.

Ele ressaltava dois dos maiores pilares da mensagem de reeleição de Trump desde que as piores crises sanitária e econômica dos Estados Unidos em gerações forçaram sua campanha a reformular o discurso, que vinha se baseando na prosperidade econômica vista durante seu mandato.

Vários assessores de Trump disseram que agora a campanha de 2020 será definida principalmente por dois temas: Trump é o único candidato capaz de ressuscitar a economia e Biden não será tão duro com a China, país que o presidente culpa pela pandemia.

É uma mensagem que ecoa na base de Trump, de acordo com entrevistas com mais de 50 eleitores em três condados indefinidos dos Estados disputados da Pensilvânia, Michigan e Wisconsin --que Trump conquistou quatro anos atrás por menos de um ponto percentual e que definirão se ele consegue um segundo mandato.

Assessores de Trump dizem que a nova mensagem, que está sendo enviada a líderes estaduais republicanos de toda a nação e enfatizada em novos anúncios anti-Biden em Estados indefinidos, reflete dados de pesquisas internas e externas que mostram que os eleitores confiam mais em Trump em relação à economia e que norte-americanos dos dois partidos desconfiam da China.

“Os eleitores sabem que a China agiu mal em relação ao vírus. O presidente foi claro em apontar a China como a origem do vírus”, disse Tim Murtaugh, porta-voz da campanha de Trump. “Reforçaremos isso.”

TJ Ducklo, porta-voz da campanha de Biden, descreveu a reação presidencial à crise como um “desastre”, acusando Trump de ter sido “enganado” pela China no início deste ano, e atentou para o fato de Trump ter coberto de elogios o presidente chinês, Xi Jinping, pela maneira como ele lidou com o surto durante janeiro e fevereiro.

A estratégia recalibrada chega no momento em que Trump enfrenta uma campanha de reeleição dificultada por um surto que já infectou mais de 1,2 milhão e matou mais de 70 mil pessoas no país.

Por Tim Reid em Los Angeles em Jarrett Renshaw na Filadélfia; reportagem adicional de Chris Kahn em Nova York

for-phone-onlyfor-tablet-portrait-upfor-tablet-landscape-upfor-desktop-upfor-wide-desktop-up