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Casa Branca descartou orientação do CDC sobre afrouxamento de restrições contra coronavírus

WASHINGTON (Reuters) - A Casa Branca descartou um guia passo a passo preparado por autoridades de saúde dos Estados Unidos para ajudar os Estados a reabrirem com segurança o sistema de trânsito em massa, restaurantes, creches e outros espaços públicos fechados pela pandemia de coronavírus, disse um funcionário do governo nesta quinta-feira.

Integrante da Guarda Nacional dos EUA de Massachusetts com máscara de proteção em Boston 07/05/2020 REUTERS/Brian Snyder

O documento de 17 páginas preparado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) foi adiado para evitar dar orientações “excessivamente prescritivas”, disse o funcionário, um membro da força-tarefa da Casa Branca do presidente Donald Trump, confirmando uma reportagem da Associated Press segundo a qual a diretriz foi arquivada.

O CDC não respondeu de imediato a um pedido de comentário da Reuters. Mais de 74 mil norte-americanos já morreram de Covid-19, a doença respiratória causada pelo vírus, entre os mais de 1,2 milhão que se sabe terem sido infectados, de acordo com uma contagem da Reuters.

Muitos Estados começaram a amenizar as restrições à vida comercial e social, incluindo Flórida, Geórgia e Texas, mas ainda não acataram as recomendações da Casa Branca de esperar o número de casos novos de Covid-19 ter declinado durante duas semanas.

O funcionário disse que o documento do CDC só foi debatido por integrantes da força-tarefa depois que a notícia de sua existência vazou no mês passado, o que os levou a fazer revisões para acrescentar mais nuances à orientação.

“Emitir instruções excessivamente específicas – que a liderança do CDC nunca esclareceu – para como tipos diferentes de negócios abrem seria excessivamente prescritivo e amplo para as várias circunstâncias que os Estados estão enfrentando em todo o país”, disse o funcionário à Reuters.

Trump, no geral, vem permitindo que os governadores determinem suas próprias reações ao surto, mas os incentivou a começar a reabrir, profundamente preocupado com a devastação econômica do isolamento nacional.

Outro lembrete dos estragos feitos veio nesta quinta-feira, quando o Departamento do Trabalho relatou que 3,2 milhões de norte-americanos pediram seguro-desemprego pela primeira vez na semana passada, cerca de 22,1% da população em idade de trabalhar.

Especialistas de saúde pública desaconselham uma reabertura muito rápida, dizendo que ela pode atiçar focos de infecção e uma segunda onda de mortes.

Na terça-feira, Trump disse que decidiu reduzir a força-tarefa agora que o país entra em uma segunda fase voltada às consequências do surto, mas no dia seguinte disse que mudou de ideia e que a manterá intacta.

Por Susan Heavey, Lucia Mutikani e Alexandra Alper em Washington

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