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De Churchill a Bon Jovi, governadores dos EUA recorrem a figuras icônicas durante pandemia

(Reuters) - No final de março, quando o governador de Indiana, Eric Holcomb, emitiu uma ordem para as pessoas ficarem em casa e procurou incentivar um senso de comunidade nos dias difíceis que se aproximavam, ele recorreu a uma figura que sabia que ressoaria no Estado norte-americano obcecado pelo basquete: o treinador Norman Dale.

Governador de Indiana, Eric Holcomb 26/03/2018 REUTERS/Chris Wattie/File Photo

Em Indiana, o treinador do popular filme “Momentos Decisivos”, de 1986, dispensa apresentações. Interpretado por Gene Hackman, Dale liderou uma equipe do ensino médio de uma cidade pequena ao título estadual de 1952, em um enredo de conquistas coletivas.

“Minha equipe está na quadra. Estou muito orgulhoso de as pessoas estarem assumindo papéis diferentes, fazendo jogadas, recuperando e bloqueando”, disse Holcomb em entrevista coletiva em 24 de março. “Nós vamos superar isso.”

Assim como Holcomb, governadores dos Estados Unidos estão recorrendo a figuras históricas e icônicas para ajudar a inspirar os cidadãos durante a pandemia de coronavírus, desempenhando um papel que os críticos do presidente Donald Trump dizem que deveria ser dele enquanto principal autoridade eleita no país.

Os governadores se basearam em políticos notórios como Franklin Roosevelt, presidente que guiou os EUA durante a Grande Depressão, e Winston Churchill, líder inspirador do Reino Unido que, como Roosevelt, dirigiu seu país durante a devastação da 2ª Guerra Mundial.

Mas eles também recorreram a astros do rock, poetas e até ao Mister Rogers, na tentativa de incutir um senso de propósito coletivo, especialmente quando escolas e empresas foram fechadas em março e abril, sem garantias detalhadas de quando reabririam.

“Faça a próxima coisa certa”, disse a governadora do Maine, Janet Mills, em um discurso em 10 de abril, citando o filme favorito de sua neta, “Frozen 2”, enquanto pedia que as pessoas checassem um vizinho, agradecessem a um profissional de saúde e ficassem em casa.

Com suas entrevistas coletivas diárias, discursos e mensagens frequentes nas mídias sociais destinadas a informar e tranquilizar o público, os governadores estão assumindo uma posição de liderança que normalmente seria reservada a Trump, disse Timothy Naftali, historiador presidencial da Universidade de Nova York.

Trump abdicou desse papel ao criticar adversários políticos, promovendo curas não comprovadas e mostrando pouca empatia pelos doentes e mortos, afirmou Naftali, acrescentando que não havia paralelos históricos com a situação atual na era moderna.

“Não nos lembramos do que os governadores do Estado estavam dizendo durante a Grande Depressão. As pessoas falam sobre os pronunciamentos”, disse ele, referindo-se aos discursos informais de Roosevelt em rádio à nação, transmitidos entre 1933 e 1944. “Todo o ônus parece estar no ombros de governadores e prefeitos nesta crise. Isso é o que é sem precedentes.”

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