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Cuba aposta em biotecnologia lançada por Fidel na corrida por tratamento para coronavírus

HAVANA (Reuters) - Cuba, que sofre com um embargo de seis décadas dos Estados Unidos, está apostando que um setor de biotecnologia iniciado pelo ex-líder revolucionário Fidel Castro pode dar à ilha comunista uma vantagem na corrida global para se encontrar tratamentos eficientes contra o novo coronavírus.

Estudantes de medicina passam por imagem de Fidel Castro durante verificação de sintomas porta a porta durante pandemia de Covid-19 12/05/2020 REUTERS/Alexandre Meneghini

O país se vangloria especialmente de um interferon --agente antiviral existe há décadas que fortalece o sistema imunológico-- que produz.

A ilha diz que teve sucesso ao tratar o novo coronavírus em casa e na China, e que 80 países já expressaram interesse em comprar seu interferon alpha 2b.

O governo cubano está torcendo para que o interferon e outros tratamentos que desenvolve deem ímpeto à economia.

“Temos bons produtos, como o interferon alpha 2b, que estamos exportando e que criam possibilidades”, disse o ministro do Comércio, Rodrigo Malmierca, durante uma mesa redonda televisionada recente.

Os interferons vêm sendo usados há tempos em todo o mundo para tratar dengue, câncer e hepatite B e C. Estudos feitos durante a epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) de 2003 levaram a crer que os interferons também podem ser úteis contra os coronavírus.

Cuba afirma que a China, onde a pandemia surgiu no final do ano passado, incluiu o interferon em suas diretrizes de tratamento da Covid-19, a doença causada pelo vírus. Um dos interferons que usou é produzido por um empreendimento conjunto cubano-chinês chamado Changheber, disseram autoridades cubanas.

Críticos acusam Cuba de defender um tratamento ainda não comprovado para a Covid-19, além de ter obscurecido inicialmente o fato de que outros países também produzem o interferon alpha 2b.

Os interferons podem causar efeitos colaterais graves quando administrados em suas formas comuns, injeções ou infusões, alguns dos quais espelham sintomas da Covid-19, como febre e dificuldade para respirar.

Mas Cuba diz ter tratado quase todos seus pacientes com injeções de interferon e louva o remédio por ajudá-la a atingir uma taxa de mortalidade menor entre seu 1.804 casos confirmados de Covid-19 -- 4,1% contra uma média de 5,9% no resto das Américas.

Cuba não tem conseguido produzir medicamentos suficientes para atender plenamente a demanda doméstica nos últimos anos por causa das medidas severas de embargo, mas a pandemia pode apresentar uma oportunidade única para o setor polir sua reputação e atrair moeda forte.

(Reportagem adicional de Nancy Lapid, em Nova York, e Roxanne Liu, em Pequim)

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

REUTERS PF

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