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Premiê britânico diz à China que Reino Unido não dará as costas ao povo de Hong Kong

LONDRES/HONG KONG (Reuters) - O Reino Unido não dará as costas ao povo de Hong Kong se a China impuser um lei de segurança nacional que entre em conflito com suas obrigações internacionais delineadas em um acordo de 1984, disse o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, nesta quarta-feira.

Vigília em Hong Kong em homenagem ao 31º aniversário dos protestos na Praça da Paz Celestial, em Pequim 03/06/2020 REUTERS/Tyrone Siu

O Reino Unido exortou a China a recuar da legislação de segurança nacional prevista para Hong Kong, que diz criar o risco de destruir uma das joias da economia asiática e arruinar a reputação chinesa.

“Hong Kong tem sucesso porque seu povo é livre”, escreveu Johnson no jornal Times of London. “Se a China prosseguir, o faria em conflito direto com suas obrigações da declaração conjunta, um tratado de cumprimento obrigatório registrado nas Nações Unidas”.

“Muitas pessoas de Hong Kong temem que seu estilo de vida – que a China prometeu preservar -- esteja ameaçado”.

Na semana passada, o Parlamento chinês aprovou uma decisão de criar leis para Hong Kong para conter a sedição, a secessão, o terrorismo e a interferência estrangeira na cidade. Agentes chineses de inteligência e de segurança podem se posicionar na cidade pela primeira vez.

“Se a China prosseguir e justificar seus temores, o Reino Unido não pode dar de ombros e virar as costas em sã consciência; ao invés disso, honraremos nossas obrigações e apresentaremos uma alternativa”, disse Johnson.

Hong Kong foi devolvida à China em 1997 depois de mais de 150 anos sob controle britânico, imposto depois que o Reino Unido derrotou a China na Primeira Guerra do Ópio.

Pequim diz que suas decisões sobre a segurança nacional de Hong Kong são assunto seu e que o laço britânico com o território deriva da “colonização agressiva e de tratados desiguais”.

“Os comentários e as acusações irresponsáveis do Reino Unido... interferiram excessivamente com os assuntos internos da China, inclusive os assuntos de Hong Kong”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian. “Aconselhamos o lado britânico a recuar do abismo”.

“O Reino Unido disse que a legislação é autoritária, mas esta palavra é a caracterização exata do antigo controle do Reino Unido sobre Hong Kong”.

Johnson repetiu a promessa de proporcionar aos portadores de passaportes de Cidadãos Britânicos no Exterior de Hong Kong um caminho para a obtenção da cidadania britânica, o que lhes permitiria se estabelecer no Reino Unido.

O ativista pró-democracia de Hong Kong Joshua Wong conclamou o Reino Unido a ir além e impor sanções e “medidas restritivas” contra a China.

Por Anne Marie Roantree, Donny Kwok, Marius Zaharia e Kanishka Singh em Bengaluru

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