June 15, 2020 / 2:34 PM / a month ago

Morte de homem negro causada pela polícia de Atlanta foi homicídio, diz legista

(Reuters) - A morte de Rayshard Brooks, um homem negro morto por um policial branco da cidade norte-americana de Atlanta na sexta-feira, foi um homicídio causado por feridas de tiros nas costas, disse o escritório do legista do condado de Fulton no domingo.

Lanchonete da rede Wendy's é incendiada após protesto contra racismo e brutalidade policial em Atlanta 13/06/2020 REUTERS/Elijah Nouvelage

A morte reanimou os protestos em Atlanta depois de dias de manifestações mundiais contra o racismo e a brutalidade policial desencadeadas pela morte do afro-norte-americano George Floyd sob custódia da polícia de Mineápolis no dia 25 de maio.

Uma autópsia realizada no domingo mostrou que Brooks, de 27 anos, morreu devido à perda de sangue e aos ferimentos internos causados por duas feridas de tiros, disse um investigador do instituto médico-legal em um comunicado, que acrescentou que a forma de sua morte foi homicídio.

O encontro fatal de Brooks com a polícia aconteceu depois que um funcionário de um restaurante Wendy’s de Atlanta telefonou às autoridades para dizer que alguém havia adormecido no carro na faixa de drive-through.

Registrado pela câmera corporal do policial e por uma câmera de vigilância, o encontro pareceu amistoso a princípio, já que Brooks aceitou um teste com bafômetro e falou sobre o aniversário da filha.

“Assisti a interação com o senhor Brooks, e partiu meu coração”, disse a prefeita de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, à rede CNN. “Ela não foi conflituosa. Este era um sujeito pelo qual você estava torcendo.”

Mas quando um policial foi prendê-lo, Brooks lutou com ele e outro agente no local, conseguiu se libertar e correu pelo estacionamento com o que parecia uma arma de choque da polícia na mão, mostrou um vídeo de um transeunte.

Um vídeo das câmeras do restaurante mostra Brooks se virando enquanto corre e possivelmente apontando a arma de choque aos policiais em perseguição, e em seguida um deles dispara sua arma de fogo e Brooks cai.

A chefe de polícia de Atlanta, Erika Shields, renunciou devido ao incidente. O policial suspeito de ter matado Brooks foi demitido, e o colega envolvido, também branco, foi afastado.

Enquanto manifestantes iam às ruas da cidade e clamavam para que os policiais do caso Brooks sejam alvo de acusações criminais, a certa altura interrompendo o trânsito em uma rodovia interestadual na noite de sábado, o Restaurante Wendy’s ardia em chamas.

No domingo, a polícia ofereceu uma recompensa de 10 mil dólares e publicou fotos do que parece ser uma mulher branca mascarada que está sendo procurada devido à sua conexão com o caso.

A polícia disse que está procurando os responsáveis pelo incêndio, inclusive uma mulher que estava “tentando ocultar a identidade”.

No sábado, Bottoms disse não acreditar que os disparos foram um uso justificado de força mortal. Até o meio da semana, procuradores decidirão se apresentarão acusações, disse o procurador do condado de Fulton, Paul Howard, no domingo.

Por Sharon Bernstein e Peter Szekely

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