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Cinco anos após decisão da Suprema Corte, casais LGBT+ dos EUA temem por futuro do casamento gay

CIDADE DO MÉXICO (Thomson Reuters Foundation) - Só foi preciso um ano de relacionamento para Greg Borski perceber que seu então namorado Phillip era a pessoa certa.

Casa Branca iluminada com as cores do arco-íris após decisão da Suprema Corte dos EUA que legalizou o casamento gay nos EUA 26/06/2015 REUTERS/Gary Cameron

“Eu simplesmente sabia que queria passar o resto da vida com ele”, disse Borski por telefone da casa deles no Estado norte-americano do Texas.

“Queríamos fazer direito – casar e depois ter filhos”, contou ele à Thomson Reuters Foundation.

Mas foram necessários oito anos e uma decisão emblemática da Suprema Corte dos EUA em 2015 para o país reconhecer sua união.

“Foi como tirar um fardo das costas”, lembrou Phillip Borski, acrescentando que o casal passou anos temendo perder a guarda dos três filhos. “Não tínhamos que nos preocupar com nossa família”.

Na sexta-feira, a comunidade LGBT+ comemorará os cinco anos do veredicto histórico, mas a guinada conservadora acentuada na política dos Estados Unidos faz alguns casais de gays e lésbicas se preocuparem com o futuro de ganhos conquistados a duras penas, como o casamento homossexual.

“Isso me assusta”, disse Greg sobre a virada do país para a direita. “Sempre há essa reação, eles estão minando nossos direitos lentamente, um pouco aqui, um pouco ali”.

Desde a eleição do presidente Donald Trump em 2016, os direitos LGBT+ vêm sofrendo um pressão crescente tanto de decretos executivos quanto de ações legais.

Em 2017, Trump anunciou uma proibição ao ingresso de pessoas transgêneros nos militares, e neste mês rescindiu diretrizes do governo Obama que protegiam os transgêneros de discriminação nos serviços de saúde.

O governo Trump também se posicionou contra proteções a pessoas LGBT+ no ambiente de trabalho, uma iniciativa refutada por um parecer histórico da Suprema Corte da semana passada segundo o qual a lei federal protege gays e transgêneros de discriminação no trabalho.

Apesar disso, famílias gays e lésbicas, assim como ativistas LGBT+, temem que o casamento de pessoas do mesmo sexo se torne um alvo.

“Nós duas ainda temos esse medo”, disse Cheralyn Stevenson, que está com a esposa, Stacey, há 14 anos. “Não importa para nós estarmos casadas... (isso) pode ser tirado de nós a qualquer momento”.

Embora uma rejeição do casamento homossexual seja considerada altamente improvável, especialistas legais dizem que decisões no âmbito estadual e em tribunais inferiores, muitos repletos de juízes indicados por Trump, podem erodir as proteções aos casais gays.

Desde o veredicto de 2015, quase 300 mil pares de gays e lésbicas se casaram, injetando estimados 3,8 bilhões de dólares em economias estaduais e locais, segundo o Instituto Williams, um centro de estudos da Universidade da Califórnia.

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