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Homem é acusado de terrorismo e incitação ao separatismo devido a cartaz em Hong Kong

HONG KONG (Reuters) - Um homem que portou um cartaz dizendo “Libertem Hong Kong, revolução de nosso tempo” ao avançar de moto contra a polícia durante um protesto nesta semana se tornou a primeira pessoa na cidade a ser acusada de terrorismo e incitação ao separatismo nos termos de uma nova lei de segurança.

Manifestantes mostram cartazes em branco após slogan ser proibido em Hong Kong 03/07/2020 REUTERS/Tyrone Siu

Pequim impôs a lei de segurança nacional a Hong Kong na noite de terça-feira depois de semanas de incerteza, colocando uma das cidades mais livres da China e um dos pólos financeiros mais sofisticados do mundo em um caminho mais autoritário.

A lei pune os crimes de secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras até com prisão perpétua, mas críticos dizem que ela almeja acabar com a dissidência e encerrar uma campanha de longa data por mais democracia na cidade.

A polícia disse que o homem de 23 anos atingiu vários agentes no protesto sem autorização de quarta-feira, ferindo alguns. Inicialmente ele foi preso por condução perigosa, disse a mídia.

Um vídeo circulando na internet mostrou o motociclista atropelando vários policiais em uma rua estreita antes de cair e ser preso.

A acusação contra ele, como vista em um documento judicial nesta sexta-feira, chega menos de 24 horas depois de o governo da cidade dizer que, conforme a nova lei, o slogan de protesto “Libertem Hong Kong, revolução de nosso tempo” conota separatismo ou subversão.

O grito de batalha aparece em cartazes na maioria das manifestações, impresso em camisetas e acessórios e escrito em notas adesivas coladas em muros de toda a cidade controlada pela China.

O veredicto do governo sobre o slogan aumentará o temor de supressão das liberdades do pólo financeiro global.

O Parlamento chinês adotou a lei de segurança em reação a protestos do ano passado desencadeados pelo temor de que Pequim esteja sufocando as liberdades de Hong Kong, garantidas pela fórmula “um país, dois sistemas” acertada quando o território voltou ao controle da China. Pequim nega a acusação.

Autoridades de Pequim e de Hong Kong vêm repetindo que a legislação visa alguns “arruaceiros” e que não afetará os direitos e as liberdades que sustentam o papel de pólo financeiro do território.

Mas Estados Unidos, Reino Unido e outros denunciaram a nova legislação, e a Organização das Nações Unidas (ONU) disse temer que ela restrinja o espaço da sociedade civil e leve ao indiciamento de ativistas.

No que certamente será visto como outro sinal de deterioração para as liberdades de Hong Kong, a agência de notícias estatal chinesa Xinhua disse que um membro do Partido Comunista que se destacou durante uma repressão a manifestantes em um vilarejo do sul chinês em 2011 comandará um escritório de segurança nacional em Hong Kong a ser criado de acordo com a nova lei.

Por Jessie Pang, Anne Marie Roantree, Donny Kwok e Clare Jim em Hong Kong e Yew Lun Tian em Pequim

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