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China repreende Reino Unido por "interferência grave" em relação a Hong Kong

LONDRES (Reuters) - O embaixador da China em Londres acusou o Reino Unido nesta segunda-feira de realizar uma interferência grave e de fazer comentários irresponsáveis a respeito da imposição de uma nova legislação de segurança do governo chinês sobre Hong Kong, o que disse que pode afetar futuros investimentos do país.

Bandeiras da China e do Reino Unido 19/10/2015 REUTERS/Suzanne Plunkett

O Reino Unido descreveu a lei de segurança como uma violação “clara e grave” da Declaração Conjunta de 1984 por meio da qual devolveu sua colônia à China 13 anos mais tarde e disse que o governo britânico oferecerá um caminho para a cidadania a cerca de 3 milhões de habitantes.

“O governo do Reino Unido continua fazendo comentários irresponsáveis a respeito dos assuntos de Hong Kong”, disse o embaixador Liu Xiaoming aos repórteres, a refutação mais contundente que a China já direcionou a Londres desde que o Reino Unido criticou a lei de segurança.

Quanto à ideia de oferecer aos detentores de passaportes de Cidadãos Britânicos no Exterior um caminho para a cidadania britânica, ele disse: “Esta medida constitui uma interferência grave nos assuntos internos da China e tripudia abertamente as normas básicas que governam as relações internacionais.”

Ele ainda disse que a China decidirá sua resposta depois de ver como o Reino Unido procede quanto à oferta de passaportes.

Embora o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, descreva a si mesmo com um “sinófilo”, também falou sobre a necessidade de “ficar ao lado de nossos amigos de Hong Kong”, tensionando as relações com Pequim.

Ele ainda endureceu a linguagem a respeito da decisão provisória de permitir que a chinesa Huawei [RIC:RIC:HWT.UL] se envolva no desenvolvimento da infraestrutura de 5G em seu país, dizendo que protegerá a infraestrutura essencial de “vendedores estatais hostis”.

Johnson sofre uma pressão intensa dos Estados Unidos e de alguns parlamentares britânicos para barrar a fabricante de equipamentos de telecomunicação por razões de segurança, e seu ministro de mídia disse nesta segunda-feira que a decisão sobre a Huawei não é imutável.

Liu disse que, embora a China queira relações amistosas com o Reino Unido, pode haver muitas consequências se este tratar Pequim como um inimigo ou com suspeita.

Segundo ele, uma volta atrás na decisão sobre a Huawei prejudicaria a imagem britânica de ambiente aberto e pró-mercado e significaria que Londres está tendo que “dançar conforme a música de outros países”.

Em 2015, o então premiê David Cameron anunciou uma “era de ouro” nas relações com Pequim, mas estas azedaram devido à discórdia crescente no tocante a Hong Kong. Liu disse esperar que esta não tenha acabado, mas que o Reino Unido tem que ser cauteloso na maneira como caracteriza a China.

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