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"Eu tenho um sonho": nova marcha lembrará Martin Luther King em momento de tensão racial nos EUA

WASHINGTON (Reuters) - Dezenas de milhares de pessoas devem marchar em Washington nesta sexta-feira para denunciar o racismo, protestar contra a brutalidade policial e comemorar o aniversário da marcha de 1963 na qual o líder de direitos civis norte-americano Martin Luther King Jr. fez o discurso “Eu tenho um sonho”.

Manifestantes protestam contra ação da polícia, em Kenosha, Wisconsin 26/08/2020 REUTERS/Stephen Maturen

Em seu discurso histórico e repetido com frequência, King vislumbrou “um dia em que (meus filhos) viverão em uma nação na qual não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter”.

Seu 57º aniversário chega ao final de um verão de tumultos raciais e protestos de âmbito nacional desencadeados pela morte de George Floyd, um afro-norte-americano desarmado que sufocou depois que um policial branco de Mineápolis se ajoelhou sobre seu pescoço durante quase nove minutos.

No início desta semana, protestos se espalharam por Kenosha, no Wisconsin, depois que policiais balearam outro afro-norte-americano, Jacob Blake, diversas vezes nas costas diante de seus filhos pequenos. Ele sobreviveu, mas ficou paralítico, disseram seus advogados.

O protesto desta sexta-feira, batizado de “Marcha do Compromisso: Tirem Seus Joelhos de Nossos Pescoços”, foi planejado pela Rede de Ação Nacional do ativista de direitos civis reverendo Al Sharpton na esteira da morte de Floyd.

Ben Crump, advogado de direitos civis que representa as famílias de Blake e Floyd, discursará, assim como Sharpton, familiares de Floyd e o filho de King, Martin Luther King III, entre outros.

Após os discursos no Memorial de Lincoln, os participantes caminharão até o memorial de Martin Luther King, a cerca de 800 metros de distância.

As revoltas do verão atual traçaram paralelos com aqueles vistos em 1968 após o assassinato do próprio King cinco anos após seu famoso discurso.

A marcha também acontece no momento em que os negros sofrem desproporcionalmente com a pandemia de coronavírus, que já matou cerca de 180 mil norte-americanos. Os negros têm mais probabilidade de adoecer e morrer por causa do vírus e de perder empregos por causa da retração da economia.

Washington exige que pessoas vindas de Estados considerados de alto risco de coronavírus, que atualmente incluem Wisconsin e Minnesota, fiquem em quarentena durante 14 dias ao visitar o distrito.

Os organizadores disseram que estão levando a pandemia em conta restringindo o acesso a ônibus destes Estados, distribuindo máscaras e medindo temperaturas. O evento ainda oferecerá exames gratuitos de Covid-19.

Reportagem adicional da Katanga Johnson

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