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Líbano escolhe novo premiê sob pressão da França

BEIRUTE (Reuters) - Líderes libaneses indicaram o diplomata Mustapha Adib como primeiro-ministro nesta segunda-feira sob pressão do presidente da França, Emmanuel Macron, que visitará Beirute para apelar pela adoção de reformas com a meta de afastar a nação do Oriente Médio de um abismo financeiro.

Mustapha Adib chega a palácio presidencial em Baabda 31/08/2020 REUTERS/Mohamed Azakir

Como sua economia está devastada por uma crise financeira, uma parte de Beirute foi arrasada por uma explosão enorme no porto no dia 4 de agosto e as tensões sectárias estão aumentando, o Líbano enfrenta a maior ameaça à sua estabilidade desde a guerra civil de 1975-90.

Adib, ex-embaixador na Alemanha, foi escolhido horas antes da chegada prevista de Macron à capital, sua segunda visita em menos de um mês. O presidente francês pressionará os políticos a sancionarem reformas que doadores exigem para combater a corrupção e o desperdício antes de liberarem auxílio financeiro.

Autoridades libanesas de alto escalão disseram que a mediação de Macron foi essencial para se chegar a um acordo a respeito de um novo premiê nas 48 horas que transcorreram até surgir um consenso a respeito de Adib --na semana passada, políticos estavam em um impasse quanto ao nome a escolher.

“A oportunidade para nosso país é pequena, e a missão que recebi depende de todas as forças políticas reconhecerem isso”, disse Adib, que angariou o apoio de quase todos os principais partidos do Líbano em consultas lideradas pelo presidente Michel Aoun.

Ele pediu a formação de um governo em tempo recorde, o início imediato de reformas e um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). As conversas do Líbano com o FMI a respeito de um apoio vital estão travadas desde o começo de julho.

No passado, a formação de governos chegou a demorar meses.

“Não há tempo para conversas e promessas... é hora de trabalhar com a cooperação de todos”, disse Adib, acrescentando que pretende formar uma equipe de especialistas competentes.

Mais tarde, Adib, que tem doutorado em Direito e Ciências Políticas, visitou as áreas mais atingidas pela explosão portuária, que matou cerca de 190 pessoas e feriu seis mil.

“Nossas crianças morreram. Não o reconhecemos”, gritou-lhe um transeunte quando ele inspecionava as áreas devastadas de Gemmayze e Mar Mikhael. Outro quis trocar um aperto de mãos com Adib, que usava máscara devido à luta do país com um aumento de casos de coronavírus.

A explosão, causada pelo que autoridades dizem ter sido 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas no porto, levou à renúncia do governo anterior liderado por Hassan Diab, hoje atuando como interino.

De outubro para cá, a crise derrubou a moeda libanesa, congelou depósitos mantidos por um sistema bancário paralisado e aumentou a pobreza e o desemprego. Décadas de corrupção e desperdício da elite sectária são a causa central.

Por Tom Perry, Laila Bassam e Ahmad Kerdi em Beirute e Elizabeth Pineau em Paris

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