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Ser francês é defender o direito de zombar, diz Macron a novos cidadãos

Presidente da França, Emmanuel Macron 23/07/2020 REUTERS/Benoit Tessier

PARIS (Reuters) - O direito de zombar e caricaturar, até mesmo a religião, é uma parte essencial de ser francês, disse o presidente da França, Emmanuel Macron, durante uma cerimônia de naturalização realizada nesta sexta-feira, dias após o início do julgamento dos supostos cúmplices de um ataque de atiradores islâmicos contra a revista satírica Charlie Hebdo em 2015.

No Panteão de Paris, um mausoléu em homenagem aos heróis da França, Macron entregou documentos franceses a cinco cidadãos novos em uma cerimônia solene que marcou o 150º aniversário da Terceira República.

“No início do julgamento dos ataques de janeiro de 2015, digo que ser francês é defender o direito de rir, gracejar, zombar e caricaturar, o qual Voltaire sustentava ser a fonte de todos os outros direitos”, disse Macron.

Mais de uma dúzia de réus foi a julgamento nesta semana devido aos seus papéis nos assassinatos cometidos na redação parisiense do Charlie Hebdo, onde 12 pessoas morreram. Também nesta semana, a revista republicou as caricaturas do profeta Maomé que desencadearam a ira de militantes islâmicos.

Ao dar as boas-vindas a cinco cidadãos novos do Reino Unido, Argélia, Camarões, Peru e Líbano, Macron disse que há tempos os imigrantes são uma força do bem na França, e observou que a Terceira República foi proclamada na prefeitura de Paris pelo filho de um imigrante italiano, Léon Gambetta, no dia 4 de setembro de 1870.

“Ele era, como vocês, um filho de imigrantes, francês de sangue misto. Foi ele quem ressuscitou a República, este reino de liberdade”, disse Macron.

Ele ainda disse que muitos outros imigrantes moldaram a história francesa, incluindo a cientista de origem polonesa Marie Curie, a cantora norte-americana Josephine Baker, a feminista tunisiana Gisèle Alimi e Félix Éboué, o primeiro governador colonial negro da França e o primeiro negro cujas cinzas foram instaladas no Panteão.

“Agora é a vez de vocês escreverem seu capítulo no livro da República”, disse Macron.

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