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Sem destino, imigrantes de Lesbos dormem em acostamentos e menores são transferidos

LESBOS (Reuters) - Milhares de imigrantes dormiram ao relento na ilha grega de Lesbos nesta quinta-feira depois que um incêndio arrasou seu acampamento improvisado, deixando-os sem ter para onde ir.

Imigrantes e refugiados se abrigam em acostamento após incêndio na ilha grega de Lesbos 10/09/2020 REUTERS/Alkis Konstantinidis

Autoridades da Grécia transferiram mais de 400 crianças e adolescentes desacompanhados para o território continental nas primeiras horas desta quinta-feira em três voos fretados.

Mas muitas outras pessoas continuavam retidas em Lesbos sem moradia ou abrigo. Famílias dormiam em acostamentos e em estacionamentos de supermercados em toda a ilha, que esteve na linha de frente da crise imigratória europeia de 2015-2016.

Cerca de 12.500 pessoas moravam no campo de Moria, já notório devido às más condições de vida. O incêndio da noite de terça-feira o reduziu quase tudo a fumaça e cinzas.

Um segundo incêndio irrompeu na noite de quarta-feira, destruindo o que havia sobrado. Reforços policiais foram enviados para impedir os imigrantes de chegarem a Mitilene, a principal cidade da ilha, confinando-os em campos e acostamentos.

Uma menina congolesa de 8 anos chamada Valencia, que estava descalça, gesticulou para um repórter da Reuters para demonstrar que estava com fome e pediu um biscoito.

“Nossa casa pegou fogo, meus sapatos pegaram fogo, não temos comida nem água”, disse.

Ela e a mãe, Natzy Malala, de 30 anos, que tem um bebê recém-nascido, dormiram no acostamento.

“Não há comida, não há leite para o bebê”, disse Natzy Malala.

As autoridades gregas transferiram 406 menores desacompanhados ao território continental na manhã desta quinta-feira, comunicou o escritório do primeiro-ministro.

“As crianças foram levadas a instalações seguras do norte da Grécia, onde ficarão temporariamente enquanto o programa de sua realocação para outros países da UE (União Europeia) está ativo”, disse.

Até agora, o programa já realocou mais de 800 menores desacompanhados em países do bloco, sempre segundo o escritório.

O Ministério da Migração disse que tomará “todas as medidas necessárias” para garantir abrigo a grupos e famílias vulneráveis, mas estas devem encontrar grande resistência de moradores locais.

Reportagem adicional de Renee Maltezou

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