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Confiança em vacinas é volátil e vulnerável à desinformação, diz estudo global

LONDRES (Reuters) - A polarização política e a desinformação online estão ameaçando os programas de vacinação no mundo todo, e a confiança popular está volátil e varia amplamente entre países, de acordo com um estudo global sobre a confiança em relação às vacinas.

27/08/2020 REUTERS/Siphiwe Sibeko

O estudo, que mapeia tendências sobre confiança nas vacinas em 149 países entre os anos de 2015 e 2019, concluiu que o ceticismo sobre a segurança das vacinas apresentou tendência de crescimento acompanhando a instabilidade política e o extremismo religioso.

“É vital, com as novas e emergentes ameaças de doenças como a pandemia de Covid-19, que monitoremos regularmente as atitudes públicas”, disse Heidi Larson, professora da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, que liderou o estudo.

“As percepções sobre as vacinas são muito mais voláteis do que costumavam ser”, disse a professora em entrevista. “De maneira geral, há muita confiança no mundo em relação às vacinas. Mas não podemos nos acomodar. A confiança sobe e desce... é altamente volátil”.

Publicada na revista médica Lancet, as conclusões de Larson são baseadas em dados de mais de 284 mil adultos consultados em 2019 sobre se enxergavam as vacinas como importantes, seguras e eficientes.

Larson disse que as farmacêuticas e pesquisadores de todo o mundo estão correndo para desenvolver vacinas contra a pandemia de Covid-19, e que os governos deveriam estar ainda mais vigilantes para avaliar a confiança do público em relação às vacinas, respondendo rapidamente às preocupações.

“Há muita ansiedade sobre a velocidade do desenvolvimento da vacina (para a Covid-19)”, disse. “Mas o público não está tão interessado na velocidade -- eles estão mais preocupados com a meticulosidade, eficiência e segurança”.

Os resultados da pesquisa mostram que a confiança em vacinas na Europa é baixa se comparada a outras regiões do mundo, como a África, com a proporção de pessoas que concordam fortemente que as vacinas são seguras variando de 19% na Lituânia para 66% na Finlândia.

Iraque, Libéria e Senegal têm a maior proporção de consultados em 2019 que concordam que vacinas são importantes.

Mas a confiança do público em vacinas cresceu em alguns países europeus desde 2015, incluindo na França, Itália, Irlanda e Reino Unido.

O estudo encontrou seis países onde a confiança nas vacinas caiu de maneira significativa desde 2015.

Na Indonésia, Paquistão, Sérvia, Azerbaijão, Afeganistão e Nigéria, a proporção de pessoas que discordam fortemente que as vacinas sejam seguras cresceu significativamente. Isso, segundo Larson, é ligado a tendências de instabilidade política e extremismo religioso nesses países.

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