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Rússia diz querer enviar investigadores à Alemanha para caso Navalny

MOSCOU (Reuters) - Moscou disse nesta sexta-feira que pedirá para enviar investigadores à Alemanha para tratar do caso de Alexei Navalny, uma proposta que quase certamente será refutada por Berlim, que diz que o político opositor russo foi envenenado com um agente nervoso proibido.

Alexei Navalny discursa em Moscou 29/09/2019 REUTERS/Shamil Zhumatov

O Kremlin vem sendo pressionado por clamores ocidentais por ações duras para punir a Rússia, a menos que esta ofereça uma explicação para o que Berlim classificou como uma tentativa de assassinar Navalny.

Navalny, o crítico mais destacado do presidente Vladimir Putin, foi levado de avião à Alemanha no mês passado depois de adoecer enquanto viajava pela Sibéria. Médicos alemães dizem que ele foi envenenado com o agente nervoso russo Novichok. Moscou disse não ter visto nenhum indício de que ele foi envenenado.

Alguns políticos veteranos alemães disseram que Berlim deveria retirar seu apoio ao Nord Stream 2, um grande gasoduto que vai da Rússia à Alemanha e deveria ser inaugurado no ano que vem. Tal medida equivaleria à punição econômica mais drástica imposta pelo Ocidente à Rússia desde a era soviética.

Em um comunicado, o departamento dos transportes do Ministério do Interior russo na Sibéria disse que quer enviar investigadores para trabalharem ao lado de colegas alemães no caso depois de reportagens segundo as quais Navalny saiu do coma.

“Esta solicitação incluirá um pedido para a possível presença de investigadores de assuntos internos russos... e um especialista russo quando colegas alemães estiverem realizando investigações com Navalny, médicos e especialistas”, disse o ministério em um comunicado.

O porta-voz do governo alemão disse que, até agora, Berlim não recebeu tal solicitação das autoridades russas.

A Rússia não iniciou uma investigação criminal e está se atendo à posição de que primeiro precisaria de provas concretas da Alemanha de que Navalny foi envenenado. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse nesta sexta-feira que as acusações alemãs no caso são “infundadas”.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que Moscou se ressente da pressão estrangeira no caso, que investigou o incidente e que não encontrou indícios que levassem a um caso criminal.

O Ministério do Interior russo disse que a polícia dos transportes de Tomsk estabeleceu um cronograma dos acontecimentos que levaram ao adoecimento de Navalny. A pasta listou um hotel, um restaurante, um apartamento e uma cafeteria visitados por Navalny e disse que ele bebeu vinho e um coquetel alcoólico. Nos dias seguintes ao adoecimento, a porta-voz de Navalny negou as alegações de que ele ingeriu álcool.

Por Anton Kolodyazhnyy e Alexander Marrow; reportagem adicional de Vladimir Soldatkin

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