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Pompeo visita imigrantes venezuelanos em Roraima para pressionar Maduro

(Reuters) - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, se reuniu com imigrantes venezuelanos em um centro de refugiados na capital de Roraima, nesta sexta-feira, na terceira parada de uma viagem a países sul-americanos para aumentar a pressão pela destituição do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo 14/09/2020 REUTERS/Erin Scott/Pool

Pompeo culpou Maduro por uma “crise criada pelo homem” de proporções sem precedentes na Venezuela e chamou o presidente venezuelano de “traficante de drogas” em comentários a repórteres em uma base militar em Boa Vista.

“Eles (venezuelanos) querem o que todos os seres humanos querem --dignidade. Eles querem uma Venezuela democrática, pacífica e soberana para chamar de lar, onde eles e seus filhos possam encontrar trabalho e viver com essa dignidade. Nós --Estados Unidos e Brasil-- os apoiamos”, disse Pompeo.

Segundo ele, os EUA estavam anunciando mais 348 milhões de dólares para ajudar os refugiados venezuelanos, incluindo 30 milhões aos que estão no Brasil, elevando a contribuição total dos EUA para mais de 1,2 bilhão de dólares.

Pompeo também visitou um refeitório que atende imigrantes com o chanceler brasileiro, Ernesto Araújo. Há duas semanas, o governo do presidente Jair Bolsonaro declarou os diplomatas de Maduro “persona non grata”, mas não os expulsou do país.

Pompeo elogiou os esforços humanitários do Brasil para receber 250.000 venezuelanos que cruzaram a fronteira, alguns dos mais de 5 milhões que deixaram seu país devido à turbulência política e econômica.

A fronteira brasileira com a Venezuela está fechada desde 18 de março devido à pandemia de coronavírus, e o fluxo de imigrantes que chega ao Brasil caiu de uma média de 600 por dia para poucos venezuelanos que fazem trilhas para entrar no país.

Pompeo visitou a Guiana e o Suriname antes do Brasil e segue nesta sexta-feira para a Colômbia, todos vizinhos da Venezuela.

A viagem ocorre num momento em que os esforços internacionais para promover uma mudança democrática na Venezuela parecem ter estagnado e Maduro sustentou seu controle no poder.

A embaixada da China no Suriname acusou Pompeo nesta sexta-feira de “difamar” Pequim, depois que o principal diplomata de Washington criticou as práticas de negócios das empresas chinesas durante a primeira parada de sua viagem à América do Sul.

A visita de Pompeo foi duramente criticada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

“A visita do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, nesta sexta-feira, às instalações da Operação Acolhida, em Roraima, junto à fronteira com a Venezuela, no momento em que faltam apenas 46 dias para a eleição presidencial norte-americana, não condiz com a boa prática diplomática internacional e afronta as tradições de autonomia e altivez de nossas políticas externa e de defesa”, disse Maia em nota.

O ex-presidente Luiz Inácio da Silva foi outro a criticar a presença de Pompeo em Roraima. Para Lula, o secretário de Estado norte-americano esteve no Brasil apenas para “fazer provocação à Venezuela”.

“A Venezuela tem um presidente que foi eleito, gostemos ou não gostemos dele. Quem tem que cuidar do Maduro é o povo da Venezuela, o eleitor venezuelano, não o Mike Pompeo, nem os Estados Unidos, que precisam parar com essa mania de querer ser xerife do mundo”, declarou Lula em entrevista à Reuters.

Reportagem de Anthony Boadle

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