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Manutenção de afastamento do líder da Catalunha pode desencadear nova eleição

MADRI (Reuters) - A Suprema Corte da Espanha manteve nesta segunda-feira um afastamento de 18 meses do líder da Catalunha de seu cargo devido a acusações de desobediência, uma medida que provavelmente desencadeará uma eleição regional.

Quim Torra em Barcelona 16/09/2020 REUTERS/Nacho Doce

O caso deriva da recusa de Quim Torra de obedecer ordens do Comitê Eleitoral da Espanha de retirar um cartaz em apoio a separatistas presos da fachada principal de seu palácio de governo durante a campanha da eleição nacional de 2019.

Torra se defendeu alegando liberdade de expressão, mas o tribunal disse que seu veredicto não contempla direitos pessoais, mas o desacato de um organismo constitucional.

O ímpeto separatista da Catalunha domina a política espanhola há anos, em particular desde que a assembleia regional fez uma declaração de independência unilateral em outubro de 2017 na esteira de um referendo que juízes declararam ilegal.

“Suprema vergonha”, tuitou Jordi Turull, um dos líderes catalães presos, após o parecer desta segunda-feira.

“Mais uma vez, o Estado espanhol interfere nas instituições democráticas”, acrescentou o antecessor de Torra, Carles Puigdemont, que se exilou na Bélgica.

A decisão está sujeita a apelação, mas entra em vigor assim que for notificada a Torra, o que significa que o vice-líder catalão Pere Aragonès deve se tornar o chefe interino.

A proibição desencadeará uma eleição antecipada na região próspera do nordeste se, como esperado, o Parlamento regional não apontar um candidato ao cargo nos próximos dias.

No início deste mês, Torra disse que seu afastamento provocaria uma eleição desnecessária e criaria instabilidade durante o enfrentamento da pandemia de Covid-19.

Mas Cristina Narbona, presidente do partido PSOE do primeiro-ministro, Pedro Sánchez, disse que uma nova eleição regional deveria ser realizada logo para acabar com a “paralisia política” da Catalunha.

Os 7,5 milhões de habitantes da Catalunha estão divididos em relação à independência – a pesquisa de opinião mais recente mostrou 42% a favor, mas 50% contra.

Por Joan Faus em Barcelona e Beln Carreño, Inti Landauro, Emma Pinedo, Nathan Allen em Madri

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