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EUA saem formalmente de pacto climático global em meio a incerteza eleitoral

WASHINGTON/BRUXELAS (Reuters) - Os Estados Unidos se desfiliaram formalmente do Acordo de Paris nesta quarta-feira, cumprindo uma promessa antiga do presidente Donald Trump de retirar o segundo maior emissor mundial de gases de efeito estufa do pacto global para combater a mudança climática.

29/10/2020 REUTERS/Hannah McKay

Mas o desfecho da acirrada eleição norte-americana determinará por quanto tempo. O rival democrata de Trump, Joe Biden, prometeu voltar ao acordo se eleito.

“A saída dos EUA deixará uma lacuna em nosso regime, e nos esforços globais para atingir as metas e ambições do Acordo de Paris”, disse Patricia Espinosa, secretária-executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).

Os EUA continuam filiados à UNFCCC. Espinosa disse que a entidade estará “pronta para auxiliar os EUA em qualquer esforço para voltar ao Acordo de Paris”.

A saída faz dos EUA o único dos 197 signatários a romper com o pacto firmado em 2015.

UNFCCC, Reino Unido, França, Chile e Itália disseram em um comunicado conjunto que “notam com pesar” a desfiliação norte-americana.

Trump anunciou sua intenção de retirar os EUA em junho de 2017, argumentando que minaria a economia de seu país, e apresentou sua retirada formalmente à Organização das Nações Unidas (ONU) em 4 de novembro de 2019, o que levou um ano para entrar em vigor.

Diplomatas com experiência na área climática antigos e atuais dizem que a tarefa de manter o aquecimento global em níveis seguros será mais dura sem o poder financeiro e diplomático dos EUA.

Cientistas alegam que o mundo precisa cortar as emissões dramaticamente nesta década para evitar os efeitos mais catastróficos do aquecimento global.

Se Biden vencer a eleição presidencial, pode reintegrar os EUA ao Acordo de Paris por meio de um processo que levaria 30 dias.

Mas uma vitória de Trump “selaria o destino dos Estados Unidos --ao menos em nível federal-- como país que se isolou do resto do mundo: impotente para moldar o diálogo internacional ou a direção climática”, disse Nat Keohane, vice-presidente sênior para o clima da entidade sem fins lucrativos Environmental Defense Fund Action.

Reportagem adicional de Matthew Green em Londres

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